
Eu tento, de alguma forma, ajudar todo mundo que me procura.
Atletas, técnicos, pais, dirigentes.
Com informações e reportagens tentando sensibilizar as pessoas da importância de ter alguém inserido no esporte.
Carregando o nome de Blumenau para todos os cantos.

Não gosto e dificilmente auxilio oportunistas.
Gente com condições financeiras de participar de algum evento.
Mas, que descaradamente cobra apoio, que lamenta os custos, que reclama da insensibilidade de empresários (como ele), que não investem no seu hobby (caro) de fim de semana.

Em alguns casos, como conheço o perfil econômico, proponho uma parceria comercial.
Para que suas provas possam ter um acompanhamento editorial maior, mais específico, dando ênfase para a sua marca.
Mas, os figurões estão sempre "quebrados".
A verba do marketing já foi aplicada ou cortada.
O momento do país não é bom...
A choradeira é grande.

No fim, dependendo do caráter do elemento, você passa a ser o bandido da história.
Como foi dito certa vez por um deles, em um jantar em que estavam diretores e o dono da empresa onde trabalho.
Mais ou menos foi assim:
"Aquele rapaz do esporte só mostra matéria nossa se a gente pagar".
Pensa na maldade.
No climão criado.
Pediu minha cabeça, claro (no passado, outros tentaram também).
Fui chamado para dar explicações.
Além de dizer que poderiam puxar minha ficha de 34 anos de profissão, ainda mostrei a conversa que tive com o infeliz, no dia em que me pediu uma "forcinha".

No fim, tudo não passa de soberba e esnobismo.
Parafraseando o poeta e tradutor Mário Quintana: "A modéstia é a vaidade escondida atrás da porta".
Ou ainda a máxima do romancista e pintor italiano Massimo Azeglio: "A vaidade quer aplauso".
O importante é aparecer na telona e provocar os concorrentes.

Precisamos ajudar quem realmente merece.
Como as famílias de dois atletas de artes marciais.

Que estão mobilizadas para que os filhos participem de duas importantíssimas competições.

Gabrielly Araujo tem 16 anos.
Já foi campeã brasileira.
Campeã da Olimpíada Estudantil Catarinense (Olesc).
Campeã Estadual.
3º lugar nos Joguinhos Abertos por equipe.
3ª colocada no Campeonato Sul-Americano.

Foi por conta do desempenho na Bolívia que conseguiu vaga para a disputa do Pan-Americano.
Que aconteceu em São Bernardo do Campo SP.

Não chegou até a fase final.
No entanto, por conta da desistência de uma concorrente que estourou a idade, conseguiu a classificação para o Mundial na Itália, de 9 a 13 de outubro.
Para atletas de 14 a 20 anos de idade.
Ela está no seleto grupo de 42 atletas brasileiros que vão competir em Veneza.

Gabrielly precisa juntar R$ 10 mil reais.
Para pagar passagem, alimentação, hospedagem seguro...
A inscrição (R$ 960) é a única exceção, já que é custeada pela Confederação Brasileira de Karatê (CBK).

A compensação é a premiação, caso se destaque.
A organização paga R$ 20 mil para o 1º colocado.
R$ 15 mil para quem ficar em segundo.
R$ 10 mil para o terceiro.

O tempo é curto.
A data limite para confirmação é no próximo dia 19.
Os pais estão confiantes.

Tanto é que apostam todas as fichas em um evento no próximo dia 28.
Quando toda a bilheteria será revertida para a sua causa.
Como curto um “beck beck” e o DJ Menudo é garantia de uma noite animada, vou tentar dar um pulo na Sociedade Flórida, no bairro Fortaleza.

Quem também vive a mesma angústia é o judoca Vinicius Leonardo Niels.
Que carimbou o passaporte para o Pan-Americano, em Cuba, no fim de novembro.
Vaga alcançada após ser vice-campeão brasileiro Sub 15 em Curitiba PR.

O drama deve ser menor por ter mais tempo para bater a meta de arrecadação (de R$ 10 a R$ 12 mil) e pelo envolvimento direto da família, acostumada com as habituais dificuldades de se fazer esporte.

Em 2022, após ser campeão brasileiro escolar, Wesley Niels, o irmão mais velho, lutou na maior competição poliesportiva escolar do mundo, a Gymnasiade, na França.

Na Normandia, Mimo caiu logo no primeiro duelo.
Sentiu a força, a pegada do judô europeu.
Porém, foi um aprendizado incrível.
Por isso que os professores (de várias modalidades) insistem na importância de competir no exterior.

A mãe, Helen, e o ex-marido, Wandrey, são do jiu-jitsu.
O esporte está no sangue.

Todos estão pegando juntos.

Assim como no karatê, todas as contas são de responsabilidade do praticante (postura que não consigo me conformar, afinal você está defendendo o seu país).
Menos mal, que a partir dos 15 anos de idade, quando se chega a esse patamar, as despesas são pagas pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ).
Não é o caso, por ora, do Vinicius.
Que está com 14 anos.

Uma Vakinha Online foi lançada.
Arrecadou até agora R$ 2.650,00.
Se faltar grana, vai se dar um jeito.

Os pais geralmente conseguem (muitos fazem empréstimos).
Porque sabem da importância de uma experiência como essa.

Para a carreira.
Para a vida.



Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de repórter/setorista na Rádio Unisul - atual CBN. É apresentador, repórter, produtor e editor de esportes do Balanço Geral da NDTV Blumenau. Na mesma emissora filiada à TV Record, ainda exerce a função de comentarista, no programa Clube da Bola, exibido todos os sábados, das 13h30 às 15h. Também é boleiro na Patota 5ª Tentativa.

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