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PL em Movimento

Esse descompasso organizacional pode custar caro em uma eleição em que tempo e estrutura são ativos decisivos.

21/04/2026 às 08h15
Por: Redação
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O fim de semana político em Santa Catarina foi marcado por um evento que, mais do que reunir lideranças, sinalizou uma tentativa concreta de reorganização interna e alinhamento estratégico do Partido Liberal, o PL, comandado no estado pelo governador Jorginho Mello. O chamado Almoço de Ideias, promovido pelo deputado federal Daniel Freitas, já no segundo mandato, em Governador Celso Ramos, serviu como palco para um gesto político relevante: a busca por distensão entre dois dos principais expoentes do bolsonarismo no estado, Carlos Bolsonaro, o Carluxo, e Ana Campagnolo, a deputada estadual mais votada em 2022.

O encontro teve peso político não apenas pelo público expressivo — com lideranças empresariais, comunitárias e políticas —, mas também porque atraiu o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e pela participação, ainda que por vídeo, do presidenciável Flávio Bolsonaro, hoje liderando todas as pesquisas eleitorais.

Mais do que um evento, foi uma demonstração clara de que o PL tenta entrar na reta decisiva do processo eleitoral com o mínimo de ruído interno possível — algo que, até aqui, não vinha sendo sua marca. Pacificação, aliás, que parecia difícil de se alcançar.

Distensão

O ponto mais emblemático foi o discurso de Carlos Bolsonaro. Em tom surpreendentemente moderado, reconheceu divergências, mas fez questão de destacar a satisfação de dividir espaço com Ana Campagnolo, sinalizando disposição para caminhar conjuntamente na campanha.

Discurso e prática

O gesto não é trivial. Trata-se de dois polos relevantes dentro do mesmo campo político, com histórico recente de atritos. A imagem construída ali foi de distensão — ainda que, na política, gestos simbólicos precisem ser testados na prática.

Diretrizes

Coube a Ana Campagnolo dar densidade política ao encontro ao elencar três objetivos estratégicos do PL:

A eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência da República;
A reeleição do governador Jorginho Mello;
A conquista das duas vagas ao Senado por Santa Catarina (isso inclui a eleição de Carluxo).

Ao fazer isso, Ana não apenas organizou o discurso partidário, mas também deixou claro que o PL entra na disputa com ambição máxima — tanto no plano nacional quanto estadual. Ana Campagnolo, aliás, tem tudo para ser novamente a mais votada para deputada estadual em Santa Catarina.

Projeções

As projeções apresentadas no evento são ousadas: vitória de Flávio Bolsonaro em segundo turno com ampla margem no estado, reeleição de Jorginho Mello ainda no primeiro turno e uma bancada robusta.

Estadual e federal

No plano proporcional, o PL fala em até 15 deputados estaduais — de um total de 40 que compõem a Alesc — e crescimento da bancada federal, passando dos atuais seis para sete ou até oito parlamentares.

É um cenário que, se por um lado revela confiança, por outro exige uma engrenagem política absolutamente afinada para se concretizar. E este ponto está, claramente, na pauta das lideranças liberais.

Cenário

Enquanto o PL demonstra musculatura e tenta ajustar suas peças, o contraste com outros campos políticos é evidente.

A esquerda catarinense já está organizada, com chapa majoritária definida e unidade consolidada. Do outro lado, o pré-candidato João Rodrigues segue enfrentando dificuldades para estruturar sua candidatura ao governo.

Quem?

Falta ao ex-prefeito de Chapecó, até o momento, a composição completa: não há definição de vice nem da segunda vaga ao Senado, restringindo-se, por ora, à parceria com Esperidião Amin.

Esse descompasso organizacional pode custar caro em uma eleição em que tempo e estrutura são ativos decisivos.

Corrigindo a rota

O evento de Governador Celso Ramos mostrou um PL que busca corrigir suas fissuras internas e entrar ainda mais competitivo na disputa. A tentativa de pacificação entre Carlos Bolsonaro e Ana Campagnolo é um passo importante, mas ainda inicial.

Fato

Na política, unidade não se declara — se constrói. E, neste momento, o PL dá sinais de que compreendeu essa necessidade. Resta saber se conseguirá sustentar esse alinhamento até outubro, especialmente diante de um cenário que aponta para uma eleição sangrenta, principalmente no contexto nacional.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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