
Eu não sei o que é pior.
Não se classificar entre os seis primeiros colocados em um campeonato com 10 times.
Ou seguir na briga pelo acesso para a Série A de 2025.
Conseguir a vaga.
E passar vergonha novamente.

Porque pelo que andei ouvindo, o Complexo Esportivo do Sesi, no contexto geral, não tratando só do futebol, vai receber investimentos apenas em janeiro.
Mesmo com a verba de R$ 5 milhões da Bancada do Vale do Itajaí da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) já depositada na conta do poder público.
Que somente poderá ser usada, bom destacar, após as eleições de 6 de outubro.
Ou, como a cidade tem mais de 200 mil eleitores, depois do segundo turno, marcado para 27 de outubro.

A prefeitura pretende fazer um plano econômico/financeiro para definir o que será feito.
Lembro de um levantamento dos custos, elaborado em 2022, logo após as notícias do repasse de R$ 30 milhões para a compra e outros R$ 20 milhões para a manutenção, prometidos e posteriormente vetados pelo ex-governador Carlos Moisés.
Estava tudo mapeado.

Só que as cifras e os planos mudaram radicalmente.
Com R$ 5 milhões não dá para trocar nem a pista de atletismo.
Uma estrutura nível 2, com capacidade para receber grandes eventos nacionais e até sul-americanos, custa R$ 6 milhões.

Antes de mais nada, é preciso ter de fato a escritura, que ainda pertence à Fiesc.
Como toda a aplicação de recursos necessita de projetos, não dá para saber o que será prioridade.
Ampliação do campo, que pode ter grama sintética?

Reformas no estádio, como vestiários, banheiros, cabines de Imprensa, espaços para integrantes da Federação e adversários, sistema elétrico e hidráulico?

Telhado do ginásio para evitar as goteiras nas quadras?
Ampliar a piscina externa?
Instalar as três secretarias (Esporte, Paradesporto e Turismo) e talvez Faema?

Enquanto isso, Rio do Sul se mexe.
Depois da confirmação da transferência de R$ 1 milhão do deputado Julio Garcia para a troca do gramado do Alfredão, o prefeito anunciou que já está se mexendo nos bastidores.

Está em fase de elaboração do Termo de Referência para a licitação.
Para a avaliação de três orçamentos.
José Thomé pretende iniciar as obras em novembro (antes do fim das eleições não se pode fazer nada).
Para deixar o campo pronto até a metade de janeiro (o campeonato deste ano começou dia 20).
Contando, otimista, com o acesso do Santa Catarina.
O que, convenhamos, será uma tarefa bem mais factível, do que finalizar o projeto em tempo hábil.
De qualquer maneira, a cidade está mobilizada, abraçou o time.

Vamos olhar o lado positivo.
Projetando maio de 2025.
Quando recomeça a segundona.
Acreditando que o município vai fazer a sua parte.
Contudo, qual seria a contrapartida dos clubes?

O Metropolitano possui uma dívida de R$ 7,9 milhões - não confirmada oficialmente.
R$ 3,8 milhões só de causas trabalhistas, herdadas, em sua maioria, pela omissão de antigas administrações, que simplesmente viraram as costas para a instituição.
Além de deixar a atual diretoria isolada.
Empresários que foram chamados para ajudar.
No título de 2018 estavam todos juntos, como mostram as fotos a seguir.

Sobraram, no máximo, três colaboradores diretos.

Diretoria que, sem apoio, se viu obrigada a terceirizar o departamento de Futebol, para não fechar as portas.
Foram dois campeonatos com a AS Sports de Florianópolis (André Santos).
E três gestões compartilhadas entre LA Sports (Luiz Alberto) e a Mais Sports Brazil (Carlos Corsini) de Curitiba PR - que assumiu sozinha em 2023 e 2024.
O investimento da Mais Sports Brazil nesse período foi de R$ 2 milhões, me garantiu Corsini.

O Blumenau amargou uma ré de mais de R$ 150 mil, além dos R$ 60 mil parcelados em 6 vezes para a Federação, por conta da mudança de CNPJ (de Indaial para Jaraguá do Sul).
Entram nessa conta o aluguel do estádio, taxas da FCF, viagens como visitante, rescisões de contratos que ainda estão sendo tratadas...
A direção fala em uma dívida de R$ 600 mil (desconfio que seja mais).

Nos quatro jogos no João Marcatto, o déficit médio nos borderôs foi de R$ 5 mil.
Só que o rombo aumenta para R$ 15 mil a R$ 18 mil com pagamentos de seguranças, polícia militar, ambulância, médicos, água, gelo, isotônicos, frutas...de vez em quando tem pizza no vestiário.

O mesmo vale para o Metropolitano, que teve uma perda ainda maior.
Nos quatro confrontos em que foi mandante em Ibirama teve de desembolsar, por jogo, perto de R$ 17 mil.
Na partida com maior público (533 expectadores), diante do Santa Catarina, o negativo foi de R$ 14.990,36.
O balanço financeiro da Série B ainda não foi fechado.
Mas, a "paulada" vai ser grande.

Tanto de um lado como de outro, me pergunto: qual a motivação para seguir em frente?
Um dirigente me disse que é por amor, por gostar mesmo de futebol.
A bola vicia.
Pois retorno financeiro não existe, ratificou.
Concordo (embora entenda que todo mundo que entra nesse ramo quer ganhar dinheiro).
A turma toma porrada de tudo quanto é lado.
Literalmente.
Como aconteceu na Baixada com Jurival da Veiga, diretor de Patrimônio do Metrô, conforme aponta a imagem da FCF TV.
Ignorância e injustiça.
O esporte está caro demais.
A inscrição de um jogador, dependendo do estado de origem, não sai por menos de R$ 3 mil.
É taxa que não acaba mais.
Sem identidade, sem planejamento e sem jogador na base para ser vendido, é um saco sem fundo.

Para se ter noção do abandono nas divisões inferiores, por meio do Instituto Metropolitano (que só mexe com as categorias Sub 17 e Sub 20), a equipe que representou a SME Blumenau não conseguiu se classificar para os Joguinhos Abertos, que terminam neste domingo (28), em Caçador.
Ficou em 5º lugar na etapa regional - caiu para São Bento do Sul nas quartas de final.
O BEC, por sua vez, não tem trabalho algum de formação.
Para jogar a obrigatória Copa SC Sub 17 está em busca de parcerias (uma escolinha da cidade entrou em contato).
A bola rola a partir do dia 1º de setembro.
Até 16 de agosto, o clube precisa indicar um campo.
Por não ser uma competição profissional, com várias exigências, vai tentar jogar no Sesi, caso feche com alguém daqui.

Está sendo mais um ano de afronta ao torcedor.
O futebol profissional de Blumenau precisa ser repensado, reconstruído.
Necessita de um fato novo.
Que vai muito além do Sesi.


Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de repórter/setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter, produtor e editor de esportes do Balanço Geral da NDTV Blumenau. Na mesma emissora filiada à TV Record, ainda exerce a função de comentarista, no programa Clube da Bola, exibido todos os sábados, das 13h30 às 15h. Também é boleiro na Patota 5ª Tentativa



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