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Emerson Luis. Esporte: Privilegiado

Emerson Luis. Esporte: Privilegiado

17/05/2024 às 20h24 Atualizada em 17/05/2024 às 23h24
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Ayrton da Silva nos tempos do kart. Foto: Arquivo pessoal
Ayrton da Silva nos tempos do kart. Foto: Arquivo pessoal

Na última coluna abordei algumas características que poderiam ajudar (ou não) uma criança/adolescente a se tornar um atleta no futuro.

1- Dom? Genética? Talento?

2- Sorte? Acaso? Destino?

3- Foco? Treinamento? Persistência?

Tudo de alguma forma colabora.

Contudo, a opção 3 é a que mais contribui para o êxito de uma carreira.

Também destaquei o comum excesso de expectativa dos pais.

A pressão exercida sobre os filhos.

Que naturalmente se cobram.

Temem decepcionar a família.

E a si mesmos.

.

Ainda lembrei das peças que o mundo nos prega.

Ao mesmo tempo, a dura realidade do dia a dia para se aprimorar e concretizar um sonho.

Como Pelé foi uma sumidade, um rei, não serve de parâmetro.

Pelé é considerado o Rei do Futebol. Foto: Franck Fife/AFP

O exemplo, totalmente oposto que pretendo usar (guardada todas as suas devidas proporções), é o de Ayrton Senna da Silva.

O maior esportista do país.

A sua morte, prematura, com apenas 34 anos, aumentou a idolatria.

No último dia 21 de março Senna faria 64 anos. Foto: Reprodução/Internet

Senna foi um piloto fora da curva.

No entanto, tudo conspirou para que se tornasse uma lenda.

Ayrton Senna comemora a vitória no GP do Brasil de 1993. Foto: Getty Images

Na verdade, mesmo com Senna, nunca tive paciência para sentar e ficar na frente da televisão por mais de duas horas.

Assistia mesmo a reta final das provas.

Me arrepiava ao ouvir o tema da vitória.

Me emocionava vê-lo carregando a bandeira brasileira no carro ou nos pódios.

Senna foi tricampeão mundial em 1988, 1990 e 1991. Foto: Miguel Costa Jr.

Perdi a vontade desde o seu fatídico acidente.

Só em 2008 é que voltei a me interessar pela Fórmula 1.

Emerson Fittipaldi carrega o caixão de Senna junto com Alan Prost e Gerhard Berger. Foto: Internet

Por causa de Felipe Massa.

Vice-campeão, com a Ferrari.

Título perdido por apenas 1 ponto de diferença.

Para Lewis Hamilton, da Mclaren.

Massa, sempre muito pressionado para ser o "substituto" de Senna, se aposentou em 2017.

Felipe Massa na vitória do GP de Monza em 2014 pela Williams. Foto: Reuters

Meu conceito sobre automobilismo mudou bastante ao assistir filmes, séries e documentários.

O último foi "Senna por Ayrton".

Três episódios.

Imperdível.

Não menos obrigatório é "Senna: O Brasileiro, O Herói, O campeão".

Bem como a trajetória de Michael Schumacher.

Que na década de 90 se tornava uma iminente ameaça ao reinado do brasileiro.

Tanto é que em 1994, o alemão venceu as duas primeiras corridas da temporada (GP do Brasil e GP do Pacífico).

E na terceira prova, em San Marino, era ele quem estava no bafo de Senna (que largou na pole pela terceira vez seguida), no momento da batida fatal, na sexta volta, na curva Tamburello.

Médicos atendem Ayrton Senna após grave acidente. Foto: Reprodução/Internet

Schumacher viria a ser campeão naquele ano.

E ainda em 1995.

Ambos com a Benetton.

Posteriormente com a Ferrari (2000, 2001, 2002, 2003, 2004).

Heptacampeão.

Schumacher foi campeão em 1994. Foto: Internet

Feito também alcançado por Lewis Hamilton.

O inglês venceu com a Mclaren (2008) e com a Mercedes (2014, 2015, 2017, 2018, 2019, 2020).

Primeira foto oficial de Hamilton como piloto da Mercedes, em fevereiro de 2013. Foto: Cristina Quicler/AFP Getty Images

Esplêndido é "Fangio, o Rei das Pistas".

Conta a história do primeiro multicampeão (três ou mais títulos) da categoria.

O argentino Juan Manuel Fangio ganhou cinco campeonatos na primeira década de existência da Fórmula 1.

Alfa Romeo 1951.

Maserati 1954.

Mercedes 1955.

Ferrari 1956.

Maserati 1957.

Fangio ganhou cinco títulos em uma década. Foto: Reprodução/Netflix

A história da família Williams é sensacional.

Foi Frank quem deu a primeira oportunidade para Senna testar um carro de Fórmula 1.

Filmes, destaco dois.

Magníficos.

"Ford x Ferrari".

E "Rush, no limite da emoção".

Apresenta a dramática temporada de 1976.

Que teve a acirrada briga pelo troféu entre Niki Lauda (Ferrari) e James Hunt (Mclaren), passando pelo grave acidente sofrido pelo austríaco na Alemanha.

Por fim, a série "Dirigir para Viver".

Que foca mais na luta pessoal de cada piloto.

Uma obra de arte!

Voltando à carreira de Senna.

O pai, Milton Guirado Theodoro da Silva, fez fortuna ao comprar e vender carros.

Também foi fundador de uma metalúrgica.

Com isso passou a ser fornecedor de diversas indústrias automobilísticas.

Além de prosperar na construção civil e na agropecuária.

Pai de Senna nos bastidores de uma prova. Foto: Instituto Ayrton Senna

Estabilizado, dedicou boa parte da vida à trajetória do filho.

Com 4 anos de idade, o menino ganhou um kart construído pelo pai usando um pequeno motor de cortador de grama de 1-HP de potência.

Foi seu principal brinquedo na infância (o meu e de muitos moleques foi uma bola).

Primeiro kart foi fabricado pelo pai. Foto: Instituto Ayrton Senna

Como Senna mesmo disse, em entrevista para Jô Soares, o automobilismo entrou em sua vida por causa do pai.

Que começou a levá-lo todos os domingos para andar de kart em um local fechado.

Foi aí (ele fala na mesma conversa) que começou a gostar da brincadeira.

Senna em momento de carinho com o pai. Foto: Instituto Ayrton Senna

Tanto é que pelo menos três vezes na semana, seu motorista particular o pegava na escola e com os karts na carreta, passava as tardes treinando em Interlagos.

Foi lá que disputou sua primeira corrida (com 13 anos).

E começou a ter intimidade com a pista molhada - sempre que chovia ia treinar.

Kartódromo Municipal Ayrton Senna em São Paulo. Foto: Reprodução/Internet

Tudo conspirou a seu favor.

O piloto cresceu e descobriu que a sua vida tinha a ver com motor, barulho, rodas, velocidade...

Em 1978 no título do Campeonato Brasileiro de Kart. Foto: Getty images

Foi bicampeão paulista (1976, 1977).

Tricampeão brasileiro (1978, 1979, 1980).

Bicampeão sul-americano (1977, 1980).

Faltou o título mundial.

Que bateu na trave com dois vice-campeonatos (1979, 1980).

"A diferença básica do kart para a Fórmula 1 é a velocidade, de resto, a retomada, a freada, a ultrapassagem, andar na chuva, é tudo mais ou menos igual”, disse Senna, certa vez.

Senna no começo da carreira no automobilismo. Foto: Instituto Ayrton Senna

Em 1981, já projetando seu futuro na Fórmula 1, Ayrton da Silva foi morar na Inglaterra.

Estudioso, trabalhador, obcecado, teve mais tempo e condições de aprimorar suas qualidades.

Logo de cara, ganhou os dois campeonatos da Formula Ford 1600.

Ayrton Senna em uma das etapas da Fórmula Ford 1600, em 1981. Foto: Arquivo Pessoal

Por falta de patrocínio (a família decidiu, por um tempo, não ajudar, pois temia pela sua segurança) voltou para São Paulo.

Passou a administrar uma loja de materiais de construção montada pelo pai.

Não deu certo.

Andava deprimido.

A alma estava na Europa.

A paixão, o coração, o arrojo, a agressividade, o talento, os planos já estavam no sangue e na cabeça.

Dando um abraço no seu maior incentivador. Foto: Instituto Ayrton Senna

Três meses depois retornou.

Com o apoio dos seus, passou a correr na Fórmula Ford 2000.

Ganhou os campeonatos Inglês e Europeu com um impressionante retrospecto de 21 vitórias em 28 corridas.

Campeão na Fórmula Ford 2000 na Inglaterra. Foto: Reprodução/Internet

Em 1983, subiu para a Fórmula 3, então principal categoria de base antes da F1.

Naquela fase, o brasileiro já tinha bons patrocinadores, além de adotar um esquema de divulgação forte nas redações dos jornais.

Brasileiro arrebentou na Fórmula 3. Foto: Instituto Ayrton Senna

Já tido como um candidato a fenômeno da velocidade, a Globo transmitiu ao vivo a corrida que poderia decidir o título em seu favor, em Silverstone.

Ayrton chegou em segundo, mas venceria a competição mais tarde numa acirrada luta com o inglês Martin Brundle.

Brundle brigou com Senna palmo a palmo pelo título da F3 Inglesa em 1983. Foto: Getty Images

Chegou onde queria em 1984.

Sua estreia na Fórmula 1 (com 24 anos recém completados) pela Toleman foi, por coincidência, no Rio de Janeiro, na abertura da temporada.

Foi uma participação discreta em Jacarepaguá.

Abandonou na oitava volta com problemas de motor.

Que não aguentou o calor carioca.

Estreia de Senna na Fórmula 1. Foto: Instituto Ayrton Senna

A vitória do GP do Brasil ficou com o futuro rival Alain Prost, que estreava na McLaren.

O francês perdeu o Mundial por meio ponto (72 a 71,5) para o companheiro de equipe, Niki Lauda.

Senna terminou na 9ª posição.

13 pontos em 16 corridas.  

Três pódios.

Senna na pista de Jacarepaguá no GP do Brasil de 1984. Foto: Divulgação/Pirelli

Na Lotus, entre 1985 e 1987, venceu as seis primeiras corridas.

Senna comemora primeira vitória na Fórmula 1 com a Lotus, no GP de Portugal de 1985. Foto: Divulgação/Lotus

O primeiro título veio em 1988 pela Mclaren.

Seguido do bi em 1990.

E do tri em 1991 - publicamente Senna afirmou que o campeonato de 1989 lhe foi roubado.

Foram 35 vitórias na montadora britânica.

Senna fez história na Mclaren. Foto: Reprodução/Internet

Só que não desistiu enquanto não fechou contrato com a Williams (que tinha o melhor carro disparado e tornou Nigel Mansell campeão em 1992).

Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet em foto clássica no GP de Portugal de 1986. Foto: Divulgação/F1

Ayrton foi para a escuderia em 1994.

Após a aposentadoria de Prost, campeão em 1993, que tinha vetado o rival no mesmo ano.

Até que veio a tragédia em Ímola.

Que o tornou imortal.

Apresentação de Senna na Williams. Foto: Reprodução/Internet

161 GPs.

80 vezes no pódio.

41 no degrau mais alto.

Tricampeão mundial.

Filho e pai conversando sobre a corrida. Foto: Instituto Ayrton Senna

Dom?

Destino?

Ouvindo conselhos do pai. Foto: Instituto Ayrton Senna

Senna foi um piloto extraordinário.

Teve todo o suporte e oportunidades que um atleta de alta performance precisa.

Seu Milton foi a pessoa mais importante na vida de Senna. Foto: Instituto Ayrton Senna

Detalhes cruciais que impedem gente também dotada de muito talento de chegar no auge.

Por falta de estrutura e apoio financeiro.

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de repórter/setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter, produtor e editor do quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV Blumenau. Na mesma emissora filiada à TV Record, ainda exerce a função de comentarista, no programa Clube da Bola, exibido todos os sábados, ao vivo, das 13h30 às 15h. Também é boleiro na Patota 5ª Tentativa. 

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