
A eliminação era iminente.
Por isso vou me ater aos bastidores, as costuras, os acertos.
O que está (ou não) por vir.
Depois de mais uma experiência frustrada com investidores de fora - pelo quarto ano seguido - o Metropolitano parece um paciente em estado terminal, desacreditado.

Não custa lembrar que o BEC respira por conta da Fundação Municipal de Esportes de Indaial.
Não fosse a parceria com as categorias de base provavelmente estaria vegetando.
Base que, por meio da equipe Sub-20, pode ser campeã estadual da Série C.
O time vai decidir o titulo contra o Fluminense de Joinville.
O primeiro jogo é domingo (13), às 15h15, na Arena.
O segundo, dia 19, no Ervin Blaese.

Formação que já foi referência no Metrô.
E que hoje existe por conta de um acordo com o Instituto Metropolitano.
Que tem CNPJ diferente.
Bem como fontes de recursos, parcerias e despesas.
O Instituto não usa mais a estrutura do CT Romeu Georg.
Também não treina na Altona.
As atividades acontecem nos campos do Atlético Itoupava, Flórida e Colégio Lúcio Esteves.
Quando chove, nas Associações da Prefeitura e do Samae e Parque Ramiro.

A preparação é para a disputa da Copa Santa Catarina Sub-21, mês que vem.
Com a camisa e o nome do Metropolitano.
Com a espinha dorsal do grupo que ficou em penúltimo lugar (entre sete participantes) no Catarinense Sub-20.
E 6º colocado nos Joguinhos Abertos - até 19 anos.
A ideia é jogar no Salto do Norte ou no Atlético Itoupava (depende da vistoria da FCF).

Um dos responsáveis do Instituto me disse que não existe nenhum atrito na relação.
“Nós trabalhamos para o Metropolitano profissionalizar atletas. Cinco jogadores fizeram parte do grupo na Série B”.
Nenhum deles jogou.
O volante Copelli, de 17 anos, até foi relacionado.
Ficou seis partidas no banco.
Porém, nunca entrou em campo.
Mesmo assim, foi fazer um teste de 30 dias no Grêmio (notícia que pegou muitos de surpresa).

A ressureição do futebol blumenauense passa por transparência, credibilidade, identidade e uma casa.
Em casa.
Pois Ibirama não dá mais.
Caso conseguisse o acesso, os jogos em 2024 provavelmente seriam em Balneário Camboriú (o novo plano A do improviso).

Hoje é impossível jogar no Sesi (as dimensões não permitem, mesmo para uma segunda divisão).
De qualquer maneira, é preciso mudar o discurso.
“A culpa é do ex-governador”.
Até porque o atual governador, por ora, não vai dar um centavo dos R$ 30 milhões prometidos na campanha do seu concorrente para a compra do Complexo Esportivo.

O prefeito já avisou que sozinho o município não tem condições de abraçar o projeto.
O Sesi não é prioridade.
E não tiro sua razão.
Existem questões mais importantes (saúde, educação, transporte, moradia, obras).
Ainda mais que, mesmo com goteiras, as quadras seguem quebrando um
grande galho para o esporte de Blumenau.
Futsal, vôlei, handebol, ginástica…

O problema é o estádio.
Que não atinge apenas o futebol.
O atletismo sofre com o abandono da pista.
A equipe que representa a cidade quando precisa fazer uma preparação mais adequada para provas acima dos 100 metros, por exemplo, vai para Timbó ou Jaraguá do Sul.
O 7º lugar do atletismo masculino e a 12ª posição do feminino na classificação dos Joguinhos Abertos explicam muita coisa.

A pista de Timbó, construída para receber os Jogos Abertos de 2019, custou R$ 1.277.291,81.
Dinheiro do governo do Estado (Fesporte).
Um novo campo fica próximo de R$ 1 milhão.
Estou jogando alto porque o Metropolitano gastou cerca de R$ 530 mil na reforma do gramado em Ibirama.

Blumenau não consegue se mobilizar e levantar R$ 2 milhões?
Que sejam R$ 5 milhões?

A propósito, que fim levou o “Movimento Joga em casa Blumenau”?
Das duas uma: ou todo mundo cansou ou está impedido (por razões óbvias) de falar sobre o tema.

Como não recebi as respostas dos questionamentos que fiz ao presidente do Metropolitano, procurei algumas fontes para projetar possíveis novidades.
Aliás, não tenho culpa se ele como gestor fez um mal negócio ou deve estar com uma penca de boletos das despesas do campeonato para pagar.
Gostaria de saber até quando vai a parceria.
Soube que os homens de Curitiba têm interesse (junto com outro empresário da capital paranaense) de transformar o Metropolitano em SAF.
Algo em torno de 85% (15% ficaria com o clube).
Tudo tem de passar pela aprovação do Conselho.
Em novembro tem eleição.

Me informaram que com R$ 1 milhão, a dívida com fornecedores e trabalhistas é quitada.
Duvidei.
Deve ser muito mais.
São 38 ações trabalhistas - em 18 delas, já houve acordo e o pagamento vem sendo parcelado.
Em um passado não muito distante, a irresponsabilidade dos dirigentes produziu essa bola de neve.
O que intriga na suposta SAF é que dentro da promessa de sanar o déficit, os interessados contam com o desfecho de alguns negócios.

Como a venda de Ruan Oliveira para o Corinthians (o contrato que terminaria em junho foi prorrogado até dezembro).
O clube só tem 10% do bolo.
Que foi fatiado em 2019 quando o atleta jogou a Série A.
Na época, sem dinheiro para pagar salários, foi pedido dinheiro emprestado aos parceiros.
Em troca, como garantia, receberam percentuais (as cotas) do passe de Ruan.
Todo dia alguém acende uma vela para que o habilidoso jogador seja comprado pelo timão.
Tem gente que se deu bem.
Tem gente que não dorme.
O meia-atacante está avaliado em R$ 1,5 milhão (60%).

Também se fala que, por conta do mecanismo de solidariedade da Fifa (5% para transações para o exterior dividido por todos os clubes formadores), o clube pode faturar com a venda de Andrei Girotto para o Al-Taawoun, da Arábia Saudita, por R$ 23 milhões.

E até mesmo com a ida de Alemão para o Real Oviedo, da Espanha, por R$ 15,3 milhões.
Um camarada jurou que o Metropolitano ficou com 10% do negócio quando ele saiu do Avaí para o Internacional.
Desconheço.

Dúvidas, suposições e chutes.
Tudo porque o Metropolitano sempre foi uma caixa-preta.
Jamais houve uma prestação de contas (a única foi para falar da venda de Maurinho para a Bielorrússia).
Um clube (com raríssimas exceções) que sempre manteve uma postura arrogante e indiferente.
Que cultivou antipatia.
Mirem-se no exemplo do BEC original (que morreu).
O roteiro e os personagens são parecidos.

Sinceramente, não sei o que é melhor (ou pior).
Vender o clube para empresários da bola.
Ou acreditar que pessoas daqui ainda tenham capacidade de fazer futebol com profissionalismo e comprometimento.


Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é comentarista do Programa Alexandre José, na Rádio Clube FM 89.1, nas segundas, quartas e quintas-feiras, às 7h40. Também atua como apresentador, repórter e produtor no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV RecordTV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa.

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