
A comarca de Tangará, no Meio-Oeste de Santa Catarina, iniciou a fase de instrução e julgamento em processo que apura a prática de crimes de corrupção ativa, passiva e inserção de dados falsos nas plataformas de informações do Sistema Único de Saúde (SUS), na Operação Emergência.
Ao todo, serão ouvidas 132 testemunhas. Ainda, 27 réus serão interrogados, entre médicos, empresários, políticos, agentes públicos e pacientes de diversas cidades da região, acusados de participar do esquema.
Na primeira audiência já foram ouvidas sete testemunhas. Nesta semana, outras 29 foram intimadas. Os crimes, conforme denúncia, iniciaram em 2017. A organização criminosa captava tanto pacientes que aguardavam na fila do SUS por uma cirurgia eletiva, quanto outros que nem haviam passado pelo atendimento público, mas tinham interesse em pagar para serem atendidos na frente dos demais.
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Os denunciados tinham acesso a informações médicas e dados dos pacientes. Conforme o Tribunal de Justiça do Estado, essas pessoas estavam em processos de tratamento fora do domicílio. Elas eram encaminhadas para o setor de emergência dos hospitais nos dias e horários em que os médicos participantes do esquema trabalhavam.
Um dos réus, líder da organização, cuidava de todas as tratativas, desde a obtenção dos documentos nos municípios até o agendamento de horários nos consultórios dos médicos para que os pagamentos indevidos ocorressem. Ele também orientava os pacientes para entrar em cadeira de rodas e não dizer que eram de outros municípios, uma forma de burlar as filas do SUS, já que tinham centenas de pessoas à espera de procedimentos cirúrgicos.
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