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Márcia Pontes: o que poderia substituir a fiscalização eletrônica de velocidade?

Márcia Pontes: o que poderia substituir a fiscalização eletrônica de velocidade?

03/07/2023 às 11h17 Atualizada em 03/07/2023 às 14h17
Por: Tom
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Foto: Arquivo/Portal Alexandre José
Foto: Arquivo/Portal Alexandre José

Lombadas de concreto onde é permitido, faixas elevadas de travessia de pedestres, quebra-molas ou moderação de tráfego em determinada área? Ou será que a fiscalização de velocidade em blitze, a fiscalização de rotina em pontos específicos ou a adaptação inteligente de velocidade poderia substituir os pardais? Por último foram relacionados: as atividades educativas em escolas, o treinamento de habilidades para motoristas ou a autoescola e o processo de formação de condutores como possíveis substitutos da fiscalização de velocidade nas cidades.

Esses mecanismos fazem parte de uma pesquisa do Instituto Movimento Pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade. O Instituto MDT é uma organização não governamental formada por entidades representativas de movimento com sede em Brasília e o que se buscou com a pesquisa foi analisar o custo-benefício para intervenções de gestão de velocidade. 

Estreitamento de pista

O estreitamento de pista foi uma possibilidade apontada como principal mecanismo de gestão da velocidade nas cidades com 17% enquanto as câmeras de fiscalização de velocidade ficaram em segundo lugar com 14,5%.

A adaptação inteligente da velocidade veio em 3º lugar com 8,38% enquanto a fiscalização de velocidade de rotina em lugares específicos ou em blitze com 3,96%. As lombadas de concreto representaram 3% de eficiência. A moderação de tráfego em uma área obteve 2,81%.

Por incrível que pareça os conhecimentos construídos na autoescola durante o processo de habilitação de novos motoristas representou 2.46% na pesquisa. 

O treinamento de habilidades para motoristas e as atividades educativas nas escolas não pontuaram e mantiveram ambas 0%. 

Mas, será que deixar as pistas e faixas de tráfego mais estreitas faria com que os motoristas corressem menos? Ou colocaria em mais risco ainda os pedestres, ciclistas, catadores de reciclados e outros usuários do trânsito?

Dados rasos

Uma das coisas que faltou na pesquisa foi divulgarem a população, onde foi aplicada e qual o tamanho da amostra. Tá certo, faltou muita coisa importante, mas por ter sido feita por um instituto de credibilidade vale a bola que levantou e o questionamento sobre se algo poderia substituir a fiscalização eletrônica de velocidade. 

Experimentos

Em Vitória (ES) a lombada eletrônica que mostra a velocidade em um painel vai substituir os radares, que fiscalizam se a velocidade está sendo respeitada.  

Em Sinop, no Mato Grosso, os radares e lombadas eletrônicas estão sendo substituídos por sonorizadores em trechos específicos das vias. 

Os sonorizadores consistem em ranhuras ou pequenas ondulações no asfalto com o objetivo de provocar trepidação e ruído na passagem de veículos. Um dos contras é que pode com o tempo comprometer o sistema de suspensão. O detalhe é que os sonorizadores não têm o objetivo de diminuir exatamente a velocidade, mas de mantê-la baixa nas vias.  

Faixas elevadas

Em Blumenau já houve muito alarde em torno das faixas elevadas de pedestres e discursos permeados de tentativas para que substituíssem a fiscalização eletrônica de velocidade. Mas, são coisas distintas. 

Seja qual for o tipo de mecanismo com o melhor ou pior custo-benefício para a gestão da velocidade nada vai funcionar e atingir completamente os objetivos sem estratégias complementares de educação para o trânsito. 

Interesses diferentes

Para entender bem a questão da velocidade para a segurança no trânsito basta pensar com a cabeça dos usuários do trânsito e dos gestores do trânsito e da velocidade. 

Motorista quer fluidez, rodar rápido, ninguém na frente dele. Outros gostam de testar a velocidade e os equipamentos de tecnologia embarcada do carro.

Motociclista querem chegar rápido (a moto é menor, tem mais arrancada e velocidade que os carros em via urbana/rodovia) e muitos, de qualquer jeito. Correspondem ao perfil dos sem paciência, não gostam de ficar atrás dos outros veículos e cometem infrações de trânsito gravíssimas conscientes do que estão fazendo. 

O pedestre, coitado, só quer atravessar a faixa sem ser atropelado, mas também têm os que não atravessam: desfilam. Não raro deixam de olhar para os lados e o fone de ouvido aumentando a sensação de isolamento e distraindo cada vez mais presente. 

Os usuários de scotters, bicicletas, autopropelidos (patinetes elétricos) também são filhos de Deus e querem uma beirinha nessas vias tão disputadas por tanta gente. 

Chegar rápido, sem lentidão, sem gargalos e sem paciência é um traço em comum. Se sabem que não existe qualquer tipo de fiscalização eles cometem infrações conscientemente, sabendo o que estão fazendo. Se são flagrados reclamam ignorando as leis de trânsito que devem respeitar. 

Por sua vez, os gestores de trânsito e da velocidade nas cidades querem que os usuários do trânsito não se batam, não se pechem, não colidam. Colocam radares e lombadas eletrônicas para flagrar e punir os abusados, mas também testam outras possibilidades com melhor custo-benefício. 

Cada um têm interesses diferentes, faltam programas e ações de educação para o trânsito que deem resultados efetivos e responsividade de uma população que tem zero cultura voltada para a segurança viária. 

Entenderam o tamanho da complexidade da coisa? Não existem soluções fáceis para problemas difíceis, sem contar que quaisquer das soluções apontadas nunca resolveram 100% do que precisa ser resolvido. 

Fazer a gestão da velocidade nas cidades ainda depende de medidas impopulares que precisam ser tomadas. Doa no bolso de quem doer. 

Até que isso mude, qual a sua opinião sobre o que poderia substituir a fiscalização eletrônica de velocidade?

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