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A foto

A fotografia de Flávio Bolsonaro ao lado de um Trump sorridente, carrega um peso político e eleitoral evidente.

28/05/2026 às 18h06
Por: Redação
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A fotografia fala por si. E, em política, imagem vale tanto quanto discurso — às vezes mais. A história está recheada de imagens emblemáticas que ajudaram ou atrapalharam candidaturas. Foi exatamente isso que aconteceu no encontro entre o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca. Uma imagem que pode alavancar ainda mais o projeto do filho 01 de Jair Bolsonaro.

A cena estampou as capas dos principais sites de notícias do país nesta terça-feira e dominou os telejornais brasileiros à noite. Não por acaso. Trata-se de um encontro absolutamente incomum. Afinal, em meio ao agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, Trump abriu espaço na agenda para receber um senador brasileiro — ainda que esse senador seja filho de Jair Bolsonaro e potencial candidato à Presidência da República em 2026. Nem foi necessária qualquer declaração formal de apoio. A imagem basta.

De orelha a orelha

A fotografia de Flávio Bolsonaro ao lado de um Trump sorridente, dentro do ambiente mais simbólico do poder norte-americano — a nação mais poderosa do planeta — carrega um peso político e eleitoral evidente. O gesto, por si só, já funciona como um ativo de campanha. Especialmente porque não há notícia de Trump abrindo o Salão Oval para pré-candidatos estrangeiros.

Proximidade

Evidentemente, há um componente pessoal nessa relação. Trump nutre apreço por Jair Bolsonaro, aliado ideológico durante o período em que ambos governaram seus países. Mas isso, isoladamente, não reduz o impacto político do encontro. Pelo contrário. Amplifica.

Direita e esquerda

A comparação com Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se inevitável nos bastidores políticos de Brasília. Lula esteve recentemente com Trump, mas em condições completamente distintas. O primeiro encontro ocorreu fora dos Estados Unidos, durante evento internacional do qual ambos participavam. Já na agenda mais recente, realizada há poucas semanas, o petista buscou uma conversa reservada, sem imprensa e sem exposição pública. Resultado: obteve apenas um rápido cumprimento do presidente americano. Na porta dos fundos da Casa Branca.

Gritante

A diferença de tratamento salta aos olhos. E é justamente esse contraste que fará da foto de Flávio Bolsonaro uma peça central da campanha presidencial que se avizinha. A imagem reforça musculatura internacional, projeta proximidade com a principal liderança conservadora do planeta e, internamente, serve como antídoto político em meio ao desgaste provocado pelo caso Banco Master.

Temor generalizado

Porque, em Brasília, cresce a percepção de que o escândalo ainda está longe de atingir seu ápice. A avaliação predominante é de que a situação envolvendo o Banco Master tende a produzir desdobramentos amplos e devastadores. A eventual delação de Daniel Vorcaro, segundo interlocutores da capital federal, poderia atingir diferentes esferas da República. E os mais diversos líderes e partidos. Da extrema esquerda comunista à direita.

Os intocáveis

No Judiciário, ministros do Supremo Tribunal Federal. No Executivo, o próprio Lula da Silva, que recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto e teria aconselhado o banqueiro a não vender o Banco Master ao BTG Pactual, de André Esteves. Também entram nesse circuito político o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, ambos da Bahia e apontados como articuladores importantes na ascensão de Vorcaro através do programa de consignados Credcesta.

Refundação da República

Nos bastidores, a leitura é de que o caso poderá atingir transversalmente setores do poder político e econômico, produzindo uma espécie de “terra arrasada” institucional.

Ladeira abaixo

Enquanto isso, o Brasil segue enfrentando deterioração econômica severa. A inflação corrói o poder aquisitivo da população, a insegurança pública avança de maneira preocupante e o ambiente financeiro permanece marcado por instabilidade, desconfiança e perda de competitividade.

Falastrão vingativo

Faltando ainda meses para a eleição presidencial, cresce no campo conservador a convicção de que o ambiente político tende a favorecer um movimento de alternância de poder. Isso porque Lula, na visão dos adversários, acaba contribuindo diariamente para o desgaste do próprio projeto de reeleição.

Sem piloto

A avaliação predominante entre lideranças de direita é de que o governo acumula erros sucessivos, amplia a sensação de desorganização administrativa e entrega ao país um cenário de fragilidade fiscal, baixo crescimento e deterioração institucional.

Reforço estratégico

Nesse contexto, o encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump deixa de ser apenas um registro diplomático incomum. Passa a representar um símbolo político poderoso. Uma imagem cuidadosamente construída para dialogar com o eleitorado

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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