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Polarização resiste ao bombardeio

A última semana foi devastadora para o PL e, especialmente, para o senador Flávio Bolsonaro.

27/05/2026 às 13h51
Por: Redação
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A última semana foi devastadora para o PL e, especialmente, para o senador Flávio Bolsonaro. A revelação — confirmada pelo próprio parlamentar — de contatos mantidos com o banqueiro Daniel Vorcaro produziu um estrago político imediato e alimentou uma ofensiva pesada da mídia nacional contra o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Primeiro veio à tona uma mensagem de voz enviada pelo WhatsApp. Depois, o próprio senador reconheceu que procurou Vorcaro, que cumpria
prisão domiciliar em São Paulo com uso de tornozeleira eletrônica. O encontro ocorreu na residência do ex-banqueiro.

Ainda que a justificativa apresentada tenha sido a busca de financiamento para um filme sobre a trajetória política e pessoal de Jair Bolsonaro, o episódio deixou evidente uma relação de proximidade absolutamente desconfortável para alguém que tenta chegar ao Palácio do Planalto. Sobretudo considerando o perfil do cidadão em questão.

Daniel Vorcaro é visto, nos bastidores políticos e empresariais, como uma figura altamente tóxica. Um bandido da pior espécie. E foi exatamente essa associação que passou a ser explorada de forma intensa pelos adversários políticos e pelos grandes veículos de comunicação.

Cerco midiático

A repercussão foi imediata e brutal. Tratando-se do filho mais velho do ex-presidente, praticamente toda a grande imprensa passou a trabalhar em cima do desgaste do senador. Em Brasília, a leitura predominante era clara: criar um ambiente político capaz não apenas de enfraquecer Flávio Bolsonaro, mas eventualmente inviabilizar sua pré-candidatura presidencial.

Ainda não

Nos bastidores do centro político e também entre setores da direita não alinhados ao bolsonarismo-raiz, havia quem enxergasse no episódio a oportunidade ideal para abrir espaço a uma alternativa conservadora fora do núcleo familiar dos Bolsonaro.

Dupla

Os nomes colocados sobre a mesa continuam sendo os mesmos: Romeu Zema, do Novo, e Ronaldo Caiado, do PSD.

Frustração no consórcio

Mas o dado político mais relevante veio justamente depois do massacre midiático. As pesquisas realizadas após a explosão do caso não mostraram nenhuma implosão da candidatura de Flávio Bolsonaro. Muito pelo contrário.

Desgaste natural

Na média dos levantamentos estatísticos, o senador perdeu alguma substância eleitoral, é verdade. Houve oscilação negativa de alguns pontos percentuais. Ainda assim, nada remotamente próximo de uma situação que pudesse gerar pressão interna por desistência. O cenário segue polarizado.

Será?

Em alguns institutos, Lula da Silva retomou numericamente a dianteira. Mas o empate técnico permanece predominando dentro da tradicional margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Viés canhoto

Até mesmo no Datafolha — historicamente apontado por conservadores como simpático a candidaturas de esquerda — o quadro continua apertado. Antes da crise, Flávio Bolsonaro e Lula apareciam empatados em 45% a 45%. Depois do episódio, o senador caiu dois pontos e Lula subiu dois. O placar passou para 47% a 43%. Resultado: empate técnico mantido.

Candidato é Flávio

A essa altura, a conclusão nos bastidores do PL é objetiva: a polarização está consolidada e não existe hoje nenhum fato capaz de fulminá-la. O candidato do bolsonarismo é Flávio Bolsonaro. E mais: só deixará de ser se assim decidir o pai. É assim que funciona.

Bênção familiar

Foi Jair Bolsonaro quem escolheu, quem ungiu e quem transformou o filho em herdeiro político direto do seu capital eleitoral. Portanto, apenas o ex-presidente teria autoridade para promover qualquer mudança de rota. Não há, neste momento, qualquer hipótese de rebelião interna no PL.

Uníssono

Nem o presidente da legenda, Valdemar da Costa Neto, tampouco deputados, senadores ou integrantes da executiva nacional trabalham com substituição. Ao contrário. A disposição de Jair Bolsonaro é ir com o filho até as últimas consequências.

Casa Branca

A expectativa política agora se desloca para os Estados Unidos. Há enorme atenção em torno do encontro previsto entre Flávio Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump. A reunião pode não ocorrer exatamente na data inicialmente prevista em razão do agravamento da tensão envolvendo Estados Unidos e Irã, além de exames médicos agendados para Trump.

Próximas horas

Mas, nos bastidores, a informação é de que o encontro deverá acontecer — se não imediatamente, entre quarta e quinta-feira. O tom adotado pelo atual ocupante da Casa Branca poderá produzir efeitos políticos importantes no Brasil. A dúvida é objetiva: haverá algum gesto formal ou informal de apoio a Flávio Bolsonaro?

O “troco”

Aliados do senador lembram um detalhe importante. Em 2024, Lula declarou apoio público ao então presidente americano Joe Biden. Depois da saída de Biden da disputa, o presidente brasileiro também manifestou apoio à candidata democrata derrotada por Trump. Daí surge a pergunta que já circula nos bastidores bolsonaristas: Trump poderá agora dar o troco político em Lula?

Parceria estratégica

Para o presidente americano, a eventual eleição de um governante de direita no Brasil teria relevância estratégica dentro do seu movimento de fortalecimento da influência na América Latina — especialmente diante das pressões sobre a Venezuela e também das sinalizações envolvendo Cuba.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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