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Alinhamento forçado

Mais de um mês depois, João reaparece. E reaparece já alinhado.

05/05/2026 às 08h47
Por: Redação
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O silêncio de João Rodrigues após a desistência de Ratinho Júnior não era casual. Era sintomático. O ex-prefeito de Chapecó havia apostado em um projeto nacional que lhe daria coerência política no estado. Com a retirada do paranaense da disputa presidencial pelo PSD, abriu-se um vazio — e, com ele, um constrangimento estratégico.

Mais de um mês depois, João reaparece. E reaparece já alinhado. Em São Paulo, numa articulação conduzida por Gilberto Kassab, sentou-se à mesa com Ronaldo Caiado e Raimundo Colombo. Ali, não apenas marcou presença — assumiu posição. Gravou vídeo, elogiou a trajetória de Caiado e declarou apoio.

O movimento, por si só, já seria relevante. Mas ganhou contornos ainda mais claros com a presença de Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB, que também declarou voto no goiano. A imagem que ficou não foi apenas de apoio presidencial. Foi de composição estadual.

A leitura política é direta: desenha-se ali uma chapa. João Rodrigues ao governo, Chiodini como vice, e Esperidião Amin como candidato ao Senado — possivelmente em chapa enxuta, sem segunda vaga competitiva à Câmara Alta.

Chapa posta

A sinalização é inequívoca. PSD e MDB caminham para uma aliança formal em Santa Catarina. A presença simultânea de João e Chiodini, somada ao gesto público de apoio a Caiado, elimina o campo da especulação e aproxima o cenário de uma definição.

Dois palanques

O dado curioso — e politicamente sensível — é a falta de sintonia interna. Enquanto João e Chiodini se alinham ao presidenciável do PSD, Esperidião Amin já declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Ou seja, a chapa estadual nasce com um desalinhamento no plano nacional.

Não é inédito, mas tampouco é trivial. Em campanhas majoritárias, coerência de palanque costuma ser ativo — não passivo.

Palanque vazio

O problema maior, no entanto, não está em Santa Catarina. Está no Brasil. A candidatura de Ronaldo Caiado enfrenta um obstáculo estrutural: a ausência de palanques robustos nos maiores colégios eleitorais.

Com Tarcísio

Em São Paulo, maior eleitorado do país, o PSD não terá candidato ao governo. Tarcísio de Freitas caminha para a reeleição com apoio de Kassab — mas não para impulsionar Caiado. Resultado: vazio político.

Mineirices

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, o cenário é ainda mais desfavorável. Romeu Zema pode ser candidato à Presidência ou vice em outra composição, possivelmente com Flávio Bolsonaro. Em qualquer hipótese, o PSD local não gravita em torno de Caiado.

Fator Lula

No Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral, Eduardo Paes está alinhado com o campo governista. Na Bahia, quarto maior eleitorado, Otto Alencar segue na mesma direção. E assim sucessivamente. No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite não assimilou a escolha de Caiado. No Paraná, embora haja declaração formal de apoio, o grupo político local já admite convivência com o projeto do senador Flávio Bolsonaro.

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Santa Catarina, nesse contexto, surge como uma das raras — talvez a primeira — unidades da federação onde Caiado efetivamente terá um palanque minimamente estruturado. Ainda assim, parcial. Ou seja, é um começo dos menos promissores para Caiado.

Conta difícil

O cenário, portanto, é de fragilidade nacional e improviso regional. E isso tem consequência direta para João Rodrigues.

Ao se alinhar a uma candidatura presidencial sem capilaridade, o pré-candidato ao governo assume um risco evidente: carregar um projeto nacional com baixa viabilidade eleitoral. Em termos práticos, é como sustentar um palanque sem transferência de votos.

Trancos e barrancos

E mais: João, que já enfrenta dificuldades para consolidar sua própria pré-candidatura — lançada com antecedência incomum —, passa a dividir o ônus de uma estratégia nacional que, evidentemente, não controla.

Projeção

A fotografia atual sugere uma equação delicada. De um lado, uma chapa estadual em formação, com densidade política. De outro, um presidenciável com dificuldades reais de inserção nos principais centros eleitorais do país.

Timing

Se nada mudar, o risco é claro: João Rodrigues pode estar ancorando sua campanha em um projeto nacional inviável, na melhor linha de estar segurando o caixão político de Caiado e do PSD. E, em política, quando o eixo nacional não sustenta, o impacto no plano estadual costuma ser direto.

A pergunta que permanece é simples — e decisiva: haverá tempo, ou disposição, para uma correção de rota? A conferir.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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