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PSD à deriva

. O deputado federal Ismael dos Santos, último representante do PSD catarinense na Câmara, já assinou ficha no PL e deve oficializar sua saída nos próximos dias.

23/03/2026 às 10h05
Por: Maurício Cattani
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O PSD em Santa Catarina está atravessando um dos momentos mais delicados de sua trajetória recente. Em apenas sete dias, a sigla acumulou perdas políticas relevantes, protagonizou ruídos públicos desnecessários e expôs fissuras internas que comprometem não apenas um projeto eleitoral imediato, mas a própria capacidade de organização para 2026 e o futuro da sigla a partir dos resultados das urnas em outubro.

Ainda que, ao final, tenha havido um esforço de recomposição interna, com João Rodrigues obtendo o desfecho que desejava — a saída de Topázio Silveira Neto e de Paulinho Bornhausen —, o custo político foi elevado, com um desgaste brutal e inédito na história da sigla. Mais do que isso, toda a “lavação de roupa suja” foi pública demais para quem precisava demonstrar coesão.



Debandada

As perdas não se limitaram à Capital. O movimento mais sensível ocorre em Brasília. O deputado federal Ismael dos Santos, último representante do PSD catarinense na Câmara, já assinou ficha no PL e deve oficializar sua saída nos próximos dias.



Escalada

O esvaziamento da bancada federal não começou agora. Em 2024, Ricardo Guidi já havia migrado para o PL para disputar a Prefeitura de Criciúma. Antes disso, o partido também perdeu o primeiro suplente Darci de Matos, hoje nos Republicanos.

O resultado é direto: o PSD chega fragilizado à montagem da chapa proporcional à Câmara dos Deputados, com poucos nomes de densidade eleitoral.



Chapa frágil

Hoje, sobram como referências o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia, e o ex-governador Raimundo Colombo (cuja candidatura, a qualquer cargo, ainda é uma incógnita). Ainda que sejam quadros de peso, são insuficientes, isoladamente, para sustentar uma nominata competitiva.



Obstáculo

A tentativa de estimular novas candidaturas esbarra em um fator decisivo: insegurança. O que se viu ao longo da semana gerou desconfiança interna e externa — inclusive virou motivo de chacota para os mais críticos. Ninguém se movimenta com tranquilidade em um ambiente de instabilidade.



Crise interna

O desgaste não decorre apenas das saídas do trio Topázio, Ismael e Paulinho, mas da forma como o processo se deu. Trocas públicas de críticas entre João Rodrigues e Jorge Bornhausen, ameaças de desistência de candidatura e recuos sucessivos criaram um enredo errático.



Amadorismo

A decisão de não formalizar a renúncia previamente anunciada sintetiza o momento: improviso, hesitação e exposição desnecessária. Para um partido que já não partia de uma posição confortável na disputa majoritária, o episódio funciona como um agravante severo.



Efeito Capital

Em Florianópolis, a saída de Topázio Silveira Neto — hoje o principal nome político da Capital — e de Paulinho Bornhausen representa uma baixa qualitativa. Não apenas pela densidade eleitoral, mas pela simbologia: perde-se presença institucional e capacidade de articulação em um dos principais colégios eleitorais do Estado.



Arranjo estadual

No tabuleiro mais amplo, o governador Jorginho Mello avança na tentativa de ampliar sua base e segue mirando PP e MDB.

Ainda que essas legendas enfrentem suas próprias tensões internas, há um movimento silencioso de lideranças — prefeitos inclusive — inclinando-se ao projeto de reeleição. Mesmo que não levem integralmente suas estruturas partidárias, levam capital político, o que, na prática, muitas vezes vale mais que o CNPJ.



Favoritismo

O cenário, que já era favorável a Jorginho Mello, torna-se ainda mais confortável. A fragmentação do PP e MDB, somada à crise do PSD, consolida uma vantagem que tende a se refletir na largada da campanha.



Adversário

No campo oposicionista, o nome mais consistente segue sendo o de Gelson Merisio. É ele quem, hoje, apresenta maior capacidade de estruturar uma candidatura minimamente competitiva.



Primeiro turno

A eleição desenha-se, neste momento, com forte tendência de definição ainda no primeiro turno. Caso haja segundo turno, o roteiro mais provável repete a polarização recente: Jorginho Mello contra a esquerda, representada por Gelson Merisio.



Oeste dividido

A fragmentação no Oeste — com João Rodrigues e Gelson Merisio disputando o mesmo espaço político — tende a ser decisiva. Um deles, ao que tudo indica, ficará pelo caminho, caso Jorginho não liquide a fatura já no primeiro turno.



Desconforto

E, hoje, os sinais não são favoráveis a João Rodrigues. Falta-lhe consistência política, densidade de conteúdo e postura compatível com a exigência de uma disputa estadual.

Falta estofo, verniz. Nos debates, mesmo com fluência verbal, perde substância frente aos principais concorrentes.



Ciclo se encerrando

O que se viu nesta semana não foi apenas uma crise episódica. Foi a exposição de fragilidades estruturais.

E, em política, quando o problema deixa de ser circunstancial e passa a ser orgânico, o custo costuma ser alto — e duradouro.

Ao fim e ao cabo, há fortes indícios de que estamos assistindo ao fim de uma era de domínio de lideranças nascidas ainda no velho PDS e no MDB.
 
 
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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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