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Encruzilhada emedebista

Na prática, o partido passa a operar sob um dilema clássico: preservar identidade com candidatura própria ou aderir a um arranjo que pode comprometer sua coesão interna.

25/02/2026 às 11h25
Por: Maurício Cattani
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O MDB de Santa Catarina entra na fase mais delicada do seu processo de reposicionamento desde o início do atual ciclo político estadual. A consolidação do movimento da União Progressista — reunindo PP e União Brasil — na direção do PSD de João Rodrigues estreita drasticamente o espaço estratégico da sigla.
Na prática, o partido passa a operar sob um dilema clássico: preservar identidade com candidatura própria ou aderir a um arranjo que pode comprometer sua coesão interna. E é justamente nessa bifurcação que emergem as tensões regionais, eleitorais e de liderança.
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Dois caminhos

Com a federação inclinada ao palanque pessedista, restam ao MDB duas alternativas claras: lançar candidatura ao governo — desejo majoritário das bases nos primeiros seis encontros regionais (serão 15 no total) — ou construir entendimento com Gelson Merisio pela frente de esquerda.

Trava

A segunda hipótese, porém, é vista como potencialmente disruptiva, uma trava. Sobretudo pelo perfil conservador do eleitorado catarinense e de boa parte da própria militância emedebista atual. Falar em apoiar Lula é quase uma lepra para políticos catarinenses.
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Ferida aberta

A possibilidade de apoiar o projeto do governador Jorginho Mello fora da cabeça de chapa segue sendo considerada politicamente indigesta. Nos bastidores, a leitura predominante é de que o MDB foi preterido de forma explícita na montagem do tabuleiro majoritário (ou até mesmo humilhado pelo governador)  — fator que alimenta o discurso de candidatura própria mesmo entre dirigentes pragmáticos.
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Problema: nomes

O entrave central é a escassez de quadros competitivos. As opções mais citadas orbitam o eixo de Jaraguá do Sul, como o deputado federal Carlos Chiodini, hoje com base eleitoral também em Itajaí, onde disputou a eleição de 2024. E do estadual Antídio Lunelli, ex-prefeito da cidade por dois mandatos.
A concentração geográfica, contudo, expõe a dificuldade de nacionalizar — ou ao menos estadualizar — o discurso partidário.
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Fator Joinville

No principal colégio eleitoral catarinense, Joinville, o deputado estadual Fernando Krelling elevou o tom ao afirmar que sua prioridade política é a cidade. O recado é direto: sem protagonismo joinvilense no projeto do MDB, o alinhamento local tende a migrar para a chapa governista, que tem o prefeito Adriano Silva, do Novo, como peça central.
A leitura é pragmática — e expõe a fragilidade territorial da construção emedebista.
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Memória eleitoral

Krelling carrega o histórico da disputa municipal de 2020, quando enfrentou Adriano, apoiado pelo então prefeito Udo Döhler(MDB), e ficou fora do segundo turno, vencido na ocasião pelo representante do NOVO, que superou o deputado federal Darci de Matos(PSD), hoje sem mandato e filiado ao Republicanos. O episódio reforça a cautela do deputado em relação a movimentos que não dialoguem diretamente com o eleitorado local. E olha que o avô de Krelling foi um dos fundadores do MDB joinvilense.
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Risco de debandada

O cenário se torna ainda mais sensível com a proximidade da janela partidária. O MDB tem hoje seis deputados estaduais e já convive com especulações sobre eventuais saídas — entre elas as de Antídio Lunelli e, em menor grau, do secretário de Infraestrutura Jerry Comper, cujo capital político no Alto Vale do Itajaí convive com o reconhecimento regional das entregas do governo. Além do próprio Fernando Krelling.
Dependendo da decisão estratégica, a legenda pode entrar na eleição não apenas dividida, mas estruturalmente menor.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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