
Um levantamento detalhado sobre a qualidade da água que abastece os 295 municípios de Santa Catarina revelou a presença de resíduos de agrotóxicos em 155 cidades (52,5%). O estudo, apresentado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), identificou inclusive cinco substâncias que são proibidas no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
As análises foram realizadas entre 2018 e 2023 em laboratórios credenciados, abrangendo mananciais superficiais e subterrâneos. De acordo com o MPSC, foram encontrados 42 tipos de resíduos ativos. Entre os banidos pela Anvisa que apareceram nas amostras estão o carbofurano, metolacloro, molinato, benomil e haloxifobe metílico.
Essas substâncias proibidas foram detectadas especificamente em sete municípios: Balneário Camboriú, Rancho Queimado, Imbuia, Canelinha, Itaiópolis, Ituporanga e São João do Sul.
Apesar dos resultados, a Coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Consumidor (CCO), Promotora de Justiça Aline Restel Trennepohl, reforça que a água distribuída pela rede de abastecimento é considerada segura para o consumo imediato.
Isso ocorre porque as concentrações encontradas estão abaixo dos Valores Máximos Permitidos (VMP) estabelecidos pela Portaria nº 888/2021 do Ministério da Saúde. "Os processos de tratamento garantem proteção contra inúmeros contaminantes. A preocupação principal é com a exposição crônica, ou seja, o contato constante e sucessivo com esses resíduos ao longo de anos", explica a Promotora.
O diagnóstico apontou o Vale do Itajaí como uma das regiões com casos mais complexos de poluição múltipla. Em Ituporanga, as análises detectaram a presença simultânea de 23 ingredientes ativos de agrotóxicos. Já em Imbuia, foram identificados 17 tipos diferentes de resíduos, incluindo fungicidas em concentrações elevadas.
Nas regiões Sul e Grande Florianópolis, os índices de municípios com resíduos na água também foram altos, atingindo 76,1% e 57,1%, respectivamente.
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O MPSC pretende atuar em frentes regionais e nacionais para enfrentar o problema:
Grupos de Trabalho: Criação de equipes intersetoriais em cidades críticas (como Ituporanga e Imbuia) para busca ativa de pacientes e conscientização de agricultores.
Ações Administrativas: Sugestão de abertura de procedimentos nas Promotorias das comarcas com maior concentração de substâncias.
Revisão Legislativa: O MPSC busca sensibilizar o Ministério da Saúde para revisar a norma nacional. O argumento é que a lei atual não considera o risco da "mistura" de várias substâncias ao mesmo tempo na água, analisando cada resíduo apenas de forma isolada.
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