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Após acidente com fio que quase degolou motociclista, Prefeitura de Blumenau se manifesta

A nota ressalta que “as operadoras são legalmente responsáveis pela manutenção correta da fiação”.

29/09/2025 às 16h21 Atualizada em 30/09/2025 às 13h02
Por: Franciele Back
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Em resposta ao acidente envolvendo o casal Vilmar e Nadir Coelho, ocorrido na última quinta-feira (25), na Rua João Pessoa, em Blumenaua, a Prefeitura, por meio do Procon, divulgou uma nota oficial.

O órgão informou que está buscando mais detalhes do caso, incluindo a identificação da operadora de telefonia responsável pela fiação irregular. O Procon também se colocou à disposição das vítimas para abertura de processo administrativo, visando aplicar medidas disciplinares cabíveis.

A nota ressalta que "as operadoras são legalmente responsáveis pela manutenção correta da fiação", especialmente quanto à altura mínima exigida, conforme determina a legislação municipal. A fiscalização dessas condições é compartilhada entre a Celesc e o próprio município.

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Como medida de enfrentamento ao problema, a Prefeitura destacou o Programa Limpa Fios, criado em julho deste ano em parceria com a Secretaria de Planejamento e a Celesc, que realiza mutirões semanais, sempre às quartas-feiras, para a organização da fiação urbana. Desde o início da iniciativa, "mais de R$ 1 milhão em multas já foram aplicadas às operadoras que descumprem as obrigações".

O Procon também disponibiliza um canal de denúncias via WhatsApp, pelo número (47) 3381-7151, para que a população possa solicitar ações emergenciais em casos críticos de risco à segurança. "A Prefeitura reforça que o Programa Limpa Fios é permanente e será executado em todos os bairros da cidade".

Foto: AJ Notícias

 

O acidente

O fim de tarde da última quinta-feira (25) poderia ter terminado em tragédia para o casal Vilmar Garcia Coelho, de 60 anos, e Nadir Coelho, de 56. O que era para ser um trajeto rotineiro pela Rua João Pessoa, em Blumenau, virou cena de desespero quando um fio solto do poste atravessou o caminho da moto em que estavam.

O acidente aconteceu por volta das 18h15, em frente à Joart Relojoaria. Vilmar, que é mecânico de motos, teve o pescoço cortado gravemente.

"Foi um livramento. Não desejo isso pra ninguém. Uma força me puxou e me derrubou… quando coloquei a mão no pescoço, vi que estava sangrando muito", contou ele em entrevista ao comunicador Alexandre José.

Nadir, que também caiu e sofreu dores na coluna, lembra da cena com indignação e tristeza.

"Ver meu marido esticado no chão, quase morto… e eu sem conseguir fazer nada. É uma dor que a gente não esquece".

Segundo testemunhas, o fio já estava solto havia cerca de uma hora, depois que um caminhão teria atingido a fiação. Durante esse período, moradores tentaram contato com empresas responsáveis, mas ninguém apareceu para resolver. Enquanto isso, o risco seguia ali, invisível, até provocar o acidente.

Momentos antes da queda de Vilmar e Nadir, outro motociclista, que pilotava uma motoneta elétrica, havia se envolvido em um incidente no local. No processo de se levantar, ele teria se enrolado no fio e, ao tentar se soltar, acabou deixando o cabo esticado na pista, na altura do pescoço.

"Eu vinha do serviço, como faço há oito anos. Estava distraído olhando o rapaz caído… e aí veio o impacto. Foi tudo muito rápido", relembra Vilmar.

A queda foi violenta. Ele recebeu cerca de 12 pontos na altura da garganta. Apesar do ferimento grave, o atendimento dos bombeiros e da equipe médica foi rápido e, segundo o casal, exemplar.

"Nunca tinha precisado de hospital antes e fui muito bem atendido. Desde o local do acidente até lá dentro, todos foram muito humanos".

Risco nas ruas 

Casos como esse não são novidade em Blumenau. Moradores relatam a presença constante de fios baixos ou soltos em várias ruas da cidade. O casal reforça o alerta e cobra providências.

"Isso que aconteceu com a gente foi uma tragédia anunciada. É uma falta de respeito com a população. E vai acontecer de novo se nada for feito. Basta andar por aí e ver como estão os fios pendurados por tudo quanto é canto. É como se a cidade tivesse armadilhas. Em um segundo de distração, a gente pode perder tudo", lamenta Vilmar.

Dona Nadir reforça o pedido de justiça.

"A gente quer que limpem essa cidade, que alguém pague pelo que a gente passou. Porque não foi só um tombo, foi um trauma. Poderíamos ter morrido ali", relembra.

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