
O fim de tarde da última quinta-feira (25) poderia ter terminado em tragédia para o casal Vilmar Garcia Coelho, de 60 anos, e Nadir Coelho, de 56. O que era para ser um trajeto rotineiro pela Rua João Pessoa, em Blumenau, virou cena de desespero quando um fio solto do poste atravessou o caminho da moto em que estavam.
O acidente aconteceu por volta das 18h15, em frente à Joart Relojoaria. Vilmar, que é mecânico de motos, teve o pescoço cortado gravemente.
"Foi um livramento. Não desejo isso pra ninguém. Uma força me puxou e me derrubou… quando coloquei a mão no pescoço, vi que estava sangrando muito", contou ele em entrevista ao comunicador Alexandre José.
Nadir, que também caiu e sofreu dores na coluna, lembra da cena com indignação e tristeza.
"Ver meu marido esticado no chão, quase morto… e eu sem conseguir fazer nada. É uma dor que a gente não esquece".
Segundo testemunhas, o fio já estava solto havia cerca de uma hora, depois que um caminhão teria atingido a fiação. Durante esse período, moradores tentaram contato com empresas responsáveis, mas ninguém apareceu para resolver. Enquanto isso, o risco seguia ali, invisível, até provocar o acidente.
Momentos antes da queda de Vilmar e Nadir, outro motociclista, que pilotava uma motoneta elétrica, havia se envolvido em um incidente no local. No processo de se levantar, ele teria se enrolado no fio e, ao tentar se soltar, acabou deixando o cabo esticado na pista, na altura do pescoço.
"Eu vinha do serviço, como faço há oito anos. Estava distraído olhando o rapaz caído… e aí veio o impacto. Foi tudo muito rápido", relembra Vilmar.
A queda foi violenta. Ele recebeu cerca de 12 pontos na altura da garganta. Apesar do ferimento grave, o atendimento dos bombeiros e da equipe médica foi rápido e, segundo o casal, exemplar.
"Nunca tinha precisado de hospital antes e fui muito bem atendido. Desde o local do acidente até lá dentro, todos foram muito humanos".
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Casos como esse não são novidade em Blumenau. Moradores relatam a presença constante de fios baixos ou soltos em várias ruas da cidade. O casal reforça o alerta e cobra providências.
"Isso que aconteceu com a gente foi uma tragédia anunciada. É uma falta de respeito com a população. E vai acontecer de novo se nada for feito. Basta andar por aí e ver como estão os fios pendurados por tudo quanto é canto. É como se a cidade tivesse armadilhas. Em um segundo de distração, a gente pode perder tudo", lamenta Vilmar.
Dona Nadir reforça o pedido de justiça.
"A gente quer que limpem essa cidade, que alguém pague pelo que a gente passou. Porque não foi só um tombo, foi um trauma. Poderíamos ter morrido ali", relembra.
A reportagem entrou em contato com o Procon de Blumenau, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto.





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