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Bebê reborn: 49% dos brasileiros acham que apego emocional deve ser desencorajado, revela pesquisa

Em meio à onda de vídeos com adultos simulando maternidade com bonecas, a maioria dos brasileiros ainda reage com estranhamento e alerta sobre risco de fuga da realidade

03/06/2025 às 09h55
Por: Gustavo Siqueira
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Em meio à onda de vídeos com adultos simulando maternidade com bonecas, a maioria dos brasileiros ainda reage com estranhamento e alerta sobre risco de fuga da realidade. Divulgação
Em meio à onda de vídeos com adultos simulando maternidade com bonecas, a maioria dos brasileiros ainda reage com estranhamento e alerta sobre risco de fuga da realidade. Divulgação

Cuidar de uma boneca como se fosse um bebê real, com direito a mamadeira, passeio de carrinho e hora do sono? Para quase metade dos brasileiros, esse tipo de afeto é problemático. Segundo pesquisa inédita da Hibou, instituto especializado em monitoramento e insights de consumo,  49% da população acredita que o apego emocional a bebês reborn deve ser desencorajado, por representar um distanciamento emocional da realidade. E mais: 31% avaliam que essa relação pode causar danos emocionais. O estudo, realizado com 1.594 pessoas (maiores de 18 anos) nos dias 21 e 22 de maio de 2025, mostra que embora o fenômeno esteja em alta nas redes sociais, o julgamento social ainda pesa  e o espaço para empatia é mínimo.

Todo mundo já ouviu falar, mas quase ninguém tem

A presença dos reborns no imaginário coletivo é forte. 74% dos entrevistados já ouviram falar, conhecem alguém que tem ou tiveram algum contato com o termo. Apenas 1% declarou ter ou já ter tido um. Outros 2% nunca ouviram falar, o que mostra que o tema chegou à superfície da sociedade, mesmo que o uso real ainda pareça restrito.

“É exagero”, dizem muitos. “É só moda”, dizem outros

Quando questionados sobre o que leva alguém a comprar um bebê reborn, 27% dos brasileiros disseram achar a prática estranha ou exagerada, enquanto 21% enxergam como uma moda passageira. Poucos associam o reborn a algo emocional: apenas 9% veem como companhia afetiva ou terapêutica10% como hobby ou colecionismo e 15% como entretenimento para crianças. Ou seja, o estranhamento supera em muito a compreensão.

Benefício emocional? Brasileiro ainda duvida

A ideia de que os bebês reborn possam ajudar emocionalmente ainda encontra resistência. 40% não veem nenhum benefício na prática, e 31% acreditam que o uso pode até ser prejudicial emocionalmente. Apenas 1% acredita firmemente nos benefícios, e 12% consideram que pode ajudar em alguns casos. Um grupo de 16%  ainda não sabe o que pensar.

“O tema dos bebês reborn ainda está muito distante da realidade do brasileiro médio, que tem a vida real como prioridade mais urgente. Para muitos, parece algo que viralizou e foi  alimentado por um hype midiático. Ao mesmo tempo, chama atenção o fato de que, mesmo achando estranho, a maioria prefere não interferir. Isso, de certa forma, revela um olhar mais introspectivo das pessoas: se não afeta minha vida, eu sigo em frente”, avalia Ligia Mello, CSO da Hibou

Ver adulto com reborn na rua? A maioria se incomoda

A cena de um adulto empurrando um reborn no carrinho ou dando mamadeira em público é, para muitos, difícil de digerir. 38% dizem que achariam absurdo, mas não fariam nada. Outros 12% sugeririam que a pessoa pensasse o comportamento, e 4% dizem que confrontariam diretamente. Apenas 1% teria empatia ou carinho. Há ainda 21% que simplesmente nunca pensaram sobre o assunto.

A linha entre afeto e fuga da realidade: um espelho da sociedade

Quando perguntados sobre como essa relação afetiva deveria ser tratada, 49% responderam que deveria ser desencorajada, pois representa risco à saúde emocional. Outros 28% acreditam que o vínculo deve ser monitorado por profissionais de saúde, e 17% acham que só deveria acontecer em casos específicos, como luto ou terapia. Apenas 4% veem o apego como algo legítimo como qualquer outro tipo de vínculo, e 2% acham que deveria ser incentivado como estratégia terapêutica.

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Gustavo Siqueira
Sobre o blog/coluna
Com mais de 26 anos de trajetória na comunicação em Santa Catarina, Gustavo Siqueira é jornalista, colunista e entrevistador com passagens marcantes pela TV, imprensa escrita e rádio. Natural de Blumenau, iniciou sua carreira aos 11 anos escrevendo crônicas para o Jornal de Santa Catarina e, desde então, já entrevistou nomes como Pelé, Dercy Gonçalves, Cláudia Leitte e Jorge Amado — em produções que vão de aldeias indígenas da Amazônia à sede da ONU.

Reconhecido por valorizar talentos locais e novos nomes da comunicação, coleciona prêmios nacionais e internacionais por sua atuação na imprensa e na promoção da sustentabilidade.
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