
Uma semana antes do acesso do Mirassol para a Série A do Campeonato Brasileiro, o perfil Metrônauense publicou em sua conta no Instagram uma matéria que a RICTV Record produziu em julho de 2012.
O VT destacou o jogo pela Série D, disputado no Sesi, quando o Metropolitano enfrentou e venceu o time paulista.
"Onde erramos?", perguntava o torcedor.

O link da reportagem está aqui, além do comentário do impagável Peninha.

Os comparativos com a cidade do interior paulista passaram a ser inevitáveis.
Bem como com os clubes - aqui podemos incluir o Blumenau.
Naquela época, em tese, Metrô e Mirassol estavam no mesmo patamar.
Hoje não há nenhuma possibilidade de fazer qualquer tipo de equiparação.
Blumenau tem 380.597 habitantes e Mirassol 65.485.
A área territorial é de 519,837 km2 e a de Mirassol 243,23 km2.

O primeiro ponto dessa disparidade futebolística passa pela identificação do clube com a cidade e com o torcedor.
No caso, uma casa própria.

Que não temos.
Mirassol tem um estádio municipal com capacidade para 15 mil pessoas.

O segundo fator não menos essencial é investir na formação de atletas.
O BEC não tem base própria.
Tanto é que para não sofrer nenhum tipo de punição da federação (é obrigatório a participação de pelo menos uma categoria em uma competição) fez parcerias nos últimos anos com a Fundação Municipal de Esportes (FMD) de Indaial, Fluminense de Joinville e mais recentemente com o Tupi de Gaspar.

O Metrô também não tem trabalho de formação.
Quem o representa nos estaduais Sub-17 e Sub-20 é o Instituto Metropolitano.
Um projeto amparado pela Lei do Incentivo ao Esporte.
Que há tempos tem quebrado um grande galho.

Para ter sucesso na base é necessário ter estrutura, oferecer condições de trabalho.
Por isso é fundamental ter um Centro de Treinamentos.
O Metropolitano até tem, mas não existem campos para treinar, por exemplo.
Nesse sentido, a Associação Altona foi uma grande parceira por muitos anos.

Mirassol tem um CT que está entre os 10 melhores do país.
Foi construído por causa da venda de um jogador: Luiz Araújo.

Que nasceu em Taquaritinga e chegou cedo ao clube.
Jogou lá entre 2012 e 2013.
Diferenciado, chamou a atenção de São Paulo e Cruzeiro, que travaram uma batalha nos bastidores.
O tricolor venceu a queda de braço.
O Mirassol ficou com 20% dos seus direitos econômicos em uma futura venda.

A previsão se confirmou e o atacante arrebentou no Sub-20.
Com Rogério Ceni no comando, subiu para o elenco profissional.
Estourou!

E foi vendido em 2017 para o Lille.
Por 10,5 milhões de euros (R$ 38 milhões).
R$ 7,7 milhões ficaram com o Mirassol.

Parte do valor, R$ 6,5 milhões, investiu na construção do CT - hoje está avaliado em R$ 15 milhões.

Antes do CT, o Mirassol alugava campos na cidade, treinava em cidades vizinhas.

Na Série A3 paulista, dependia de verba pública para sobreviver.

Lembra muito a rotina dos nossos times.

Outra coincidência, e essa não tem nada a ver com Blumenau, é que depois de erguer a estrutura no terreno de 1.500 mil metros quadrados de área construída, comprado por R$ 750 mil, o Mirassol se levantou.

Penou na Série D do Campeonato Brasileiro (2009, 2011, 2012, 2018).
Até que em 2020 foi campeão e conseguiu o acesso para a Série C.

Conquistou o título em 2022 e a ida para a Série B.
Em 2023 terminou em 6º lugar.
E agora em 2024 só ficou atrás do Santos.

Outro fator importante na hora de negociar um atleta é o Mecanismo de Solidariedade da FIFA.
Sempre que houver uma venda internacional, a equipe paulista vai receber 1% do percentual.
Foi assim em 2021, quando Luiz Araújo foi vendido para o Atlanta United.
Os norte-americanos pagaram aos franceses R$ 63,1 milhões.
Na conta, R$ 631 mil.

Ano passado não foi diferente.
O Flamengo comprou o jogador por R$ 48 milhões.
Mais R$ 480 mil.

"A solução para os clubes do interior é a venda de futuras promessas".
Edson Ermegenildo, presidente do Mirassol Futebol Clube.



Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - CBN. Atualmente é apresentador, repórter, produtor e editor de esportes do Balanço Geral da NDTV Blumenau. Na mesma emissora filiada à Record, ainda exerce a função de comentarista, no programa Clube da Bola, exibido todos os sábados, das 13h30 às 15h. Também é boleiro na Patota 5ª Tentativa.

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