
Semana passada destaquei a dura realidade do vôlei feminino adulto que, temporariamente, fechou as portas.
Outras modalidades também agonizam.
Uma delas poderia ter o mesmo fim, não fosse a Lei de Incentivo ao Esporte do governo federal (que ainda precisa ser aprovado).
Contudo, por conta da tragédia com o time de remo de Pelotas RS, não dá para ignorar um tema tão triste e preocupante.
Que atinge a maioria de atletas e técnicos.

Afinal, nem todo mundo pode se dar ao luxo de ir para uma competição, em São Paulo, por exemplo, de avião.
Tem gente que pode.
Profissionais que não dependem do dinheiro do município para sobreviver ou mendigar apoio por meio de rifas, vakinhas, feijoadas, pasteladas, macarronadas, hamburgadas, venda de doces, pedágios...

Muitas vezes, quem possui esse perfil, pratica uma atividade por hobby.
Com o tempo, até por ter locais ideais de treinamento e naturalmente melhores equipamentos, acaba se destacando.
Mesmo assim, vive pedindo ajuda.
No fundo, não quer é tirar dinheiro do bolso - se empatar, está no lucro.
Não dá para tirar a razão.
Até porque ninguém deveria trabalhar de graça ou colocar dinheiro do bolso para representar um clube ou um município.
O que incomoda é o falso vitimismo.

Atletas e técnicos e até familiares correm vários riscos para seguir em frente.
Pegam estrada o tempo todo.
Com vans e ônibus alugados ou mesmo veículos particulares.
Fazem isso porque acreditam que um dia vão ser valorizados.
Correm perigo, não jogam a toalha, porque precisam disputar torneios de ponta.
Para aumentar índices, encarar adversários, no mínimo, do mesmo nível, buscar vagas em competições no exterior, onde estão os melhores, e aprende-se muito.

Esse foi o objetivo do Centro Português 1º de dezembro de Pelotas RS e do América de Blumenau ao participarem do Campeonato Brasileiro Interclubes (CBI) de Remo e Para-Remo Unificado, na raia da Universidade de São Paulo (USP).

O representante blumenauense conquistou 14 medalhas (uma de ouro, três de prata e sete de bronze).
O resultado expressivo (o Para-Remo vice-campeão) foi bastante comemorado.
Pelo menos até Guaratuba PR.
A delegação passou pelo acidente, que tirou a vida de oito atletas, do coordenador do projeto "Remar para o Futuro", além do motorista.

Por uma coincidência, duas das vítimas fatais, Nicole da Cruz, 15 anos, e Algel Souto Vidal, 16 anos, ganharam a medalha de prata, junto com a blumenauense Helena Beatriz Ewaldt D’Avila, também de 16 anos, na guarnição quatro sem timoneiro, categoria Sub 19.
A remadora do América ficou bastante abalada.
Tanto é que na entrevista que concedeu para o esporte do Balanço Geral da NDTV, disse que clubes do interior recebem poucos recursos. Sempre falta dinheiro para levar os atletas para os eventos. No fim, eles precisam se virar sozinhos.

Um inquérito policial vai apurar a causa do acidente.
Com a idade você passa a não culpar Deus (ou o destino) pelas tragédias que acontecem.
Mas, se o freio não funcionou é porque houve falha mecânica/humana (faltou manutenção). Se houve excesso de velocidade (quem errou foi o condutor).

Mesmo assim, 1.380 km de ida para São Paulo e mais 1.380 km de volta para Pelotas é muito chão.
É muito sacrifício. É muito injusto. É muito revoltante.



Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de repórter/setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter, produtor e editor de esportes do Balanço Geral da NDTV Blumenau. Na mesma emissora filiada à TV Record, ainda exerce a função de comentarista, no programa Clube da Bola, exibido todos os sábados, das 13h30 às 15h. Também é boleiro na Patota 5ª Tentativa.

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