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Emerson Luis: Esporte: SOS

Emerson Luis: Esporte: SOS

18/10/2024 às 18h51 Atualizada em 18/10/2024 às 21h51
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Foto: Imagem Ilustrativa/Freepik/Porto Alegre 24 horas
Foto: Imagem Ilustrativa/Freepik/Porto Alegre 24 horas

Ano passado, nessa época, vivíamos a expectativa da estreia dos dois times de Blumenau na Superliga de Vôlei.

Nesta temporada 2024/2025 só teremos a Apan em quadra.

Que faz seu primeiro jogo terça-feira (22), às 21h30, em Guarulhos SP.

Uma semana depois viaja até Campinas SP.

E dia 6 de novembro recebe o Neurologia Ativa GO, vice-campeão da Superliga B - a outra novidade desta edição é o campeão Goiás.

Por conta da Oktoberfest, quadra do Galegão só está sendo liberada para treinos. Foto: Emerson Luis

O Bluvôlei, que até o primeiro semestre deste ano, era uma das atrações da Superliga, com uma equipe ajustada e aguerrida, que levava um grande público ao Galegão, simplesmente quebrou.

Por atrasar salários, recebeu uma dupla punição.

Caiu para a Superliga B porque não dava para extrair ou exigir mais nada das atletas e comissão técnica.

E acabou rebaixado para a Superliga C por não cumprir o Fair Play Financeiro da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).

Equipe de vôlei chegou a viver momentos de protagonismo na Superliga. Foto: Bluvôlei

Mesmo com a pisada de bola da diretoria, que montou um grupo sem um Plano B (ficou esperando o prometido repasse da Fesporte de R$ 1,5 milhão, que nunca foi liberado), não consigo absorver tamanho desleixo.

O nome de Blumenau, "a capital do esporte amador" foi achincalhado em rede nacional.

E ninguém fez nada.

Bluvôlei e Flamengo no Galegão lotado. Foto: Bluvôlei

A folha salarial não chegava a R$ 140 mil!

Foram pagos 50% de janeiro e nada em fevereiro, março e abril (os pagamentos de novembro e dezembro só não atrasaram porque a prefeitura repassou R$ 250 mil).

Dívida que ainda foi se acumulando com fornecedores e chegou na casa dos R$ 800 mil.

Como consequência, 10 ações trabalhistas das atletas Ana Cristina, Andressa Gelenski, Arianne Tolentino, Geovanna Rodrigues, Isabella Paquiard, Ivna Colombo, Laís Lima, Mari Cassemiro, Natasha Farinéa e Vivi Braun - a única que até agora fez acordo, parcelado em 24 vezes.

Elenco montado para a disputa da Superliga. Foto: Bluvôlei

Sem concorrência no estado, Brusque vem ocupando o protagonismo no vôlei feminino (assim como Joinville passou a dominar o masculino).

A estreia na Superliga aconteceu nesta sexta-feira, em Belo Horizonte, contra o Minas, atual campeão - derrota por 3 x 0, parciais de 25/19- 25/22 e 25/12.

O antigo rival estipulou um orçamento de R$ 3 milhões.

Enfrentou dificuldades na praça, não conseguiu alcançar o valor planejado, mas fechou com a Havan como patrocinador master.

De qualquer forma, não creio que cometerá a mesma displicência.

Brusque comemora o acesso após ser vice-campeão da Superliga B. Foto: Abel Moda Brusque

Os cortes no esporte estão fazendo estragos.

A navalha, afiada e cruel, não poupa ninguém, afeta inevitavelmente a base.

Que precisa de referência na principal categoria.

Afinal, o jovem treina, compete, viaja, abre mão de tanta coisa, para estar no time de cima.

Basquete da Apab perdeu seu protagonismo para Brusque. Foto: Sidnei Batista

Basta ver os resultados de Blumenau nas últimas edições da Olesc e Joguinhos Abertos.

No site da Fesporte você acha os detalhes.

No adulto também temos reflexos.

O maior exemplo é o basquete feminino, outro representante em uma competição da elite nacional.

Elenco do basquete feminino em uma partida do estadual. Foto: BFB

Blumenau foi derrotado em três dos oito confrontos que disputou até aqui no Campeonato Catarinense (duas vezes para Piçarras e uma para Jaraguá do Sul).

No primeiro tropeço para Piçarras, 62 x 66, o BFB perdeu uma invencibilidade de 8 anos, mais de 160 jogos.

Nada é por acaso.

Piçarras está participando pela primeira vez do campeonato estadual. Foto: ADEPI

É preciso fazer mágica para se virar com o minguado repasse mensal, em média, de R$ 30 mil para as equipes de ponta.

Para ser aplicado em todas as categorias, bom lembrar.

Me torno redundante ao escrever isso, mas não fossem as associações de pais, muitas modalidades já teriam morrido.

Handebol masculino em uma partida dos JASC. Foto: Divulgação

Houve, na verdade, uma transferência de responsabilidade.

O aumento da pressão sobre atletas, técnicos e dirigentes.

Ápice do handebol feminino nos anos 2000 em um jogo no Sesi. Foto: Reprodução/Abluhand

O esporte amador e de rendimento pede socorro.

Precisa ser repensado, replanejado.

Estamos sendo engolidos a conta-gotas.

Resignados e silenciados.

Blumenau Futsal passa por um momento delicado. Foto: Sidnei Batista

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de repórter/setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter, produtor e editor de esportes do Balanço Geral da NDTV Blumenau. Na mesma emissora filiada à TV Record, ainda exerce a função de comentarista, no programa Clube da Bola, exibido todos os sábados, das 13h30 às 15h. Também é boleiro na Patota 5ª Tentativa.     

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