
Santa Catarina, um dos principais polos têxteis do Brasil, é responsável por grande parte da arrecadação de impostos do estado. O setor emprega diretamente um em cada cinco catarinenses, movimentando mais de nove mil empresas, das quais 97% são micro e pequenas. Porém, junto com o crescimento, a indústria têxtil enfrenta grandes desafios provocados por uma geração de consumidores cada vez mais preocupada com sustentabilidade e que exigem ações efetivas em torno de temas como o impacto ambiental, o volume de resíduos gerados e a pressão do fast fashion.
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Foi com esse foco que, na última terça-feira (24), Blumenau sediou o 3º Seminário Internacional de Tendências e Tecnologias Têxteis, promovido pelo Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design. O evento reuniu especialistas brasileiros e internacionais para discutir como o setor pode se reinventar e adotar soluções tecnológicas mais sustentáveis.
Na abertura do evento, Ulrich Kuhn, vice-presidente da Fiesc Vale do Itajaí, destacou que a responsabilidade das empresas vai além da competitividade. ’Hoje enfrentamos desafios técnicos, econômicos e, mais recentemente, ambientais. Sustentabilidade e reciclagem estão no centro das discussões globais, e o setor têxtil não pode ficar de fora dessa transformação. Precisamos pensar seriamente no que podemos fazer para minimizar nosso impacto no meio ambiente’, afirmou.
Entre os palestrantes, Daniel Bastos da Matta Martins, especialista em energia e mudanças climáticas da PwC Brasil, abordou a complexidade da cadeia energética e a necessidade de o Brasil e Santa Catarina se posicionarem nesse cenário global. “Para limitar o aumento da temperatura global, precisamos alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Isso exige regulamentação dos mercados de carbono e investimentos em novas tecnologias que ajudem a transformar a nossa economia em uma economia verde e sustentável”, ressaltou.
Outro destaque foi a palestra dos argentinos Carolina Alarcón e Horácio Tofé, do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (INTI), que discutiram a reciclagem têxtil como estratégia de circularidade. Eles apresentaram o exemplo da Argentina, onde certificações garantem que os processos de reciclagem no setor têxtil sigam normas ambientais rígidas.
No âmbito das inovações sustentáveis, Ricardo Vital de Abreu, gerente técnico da Golden Technology, apresentou a tecnologia Dye Clean, que reduz o uso de água doce em até 80% nos processos de tingimento têxtil. ’Nossa tecnologia não só economiza recursos hídricos, como também reduz o consumo de sal e os custos de produção, oferecendo uma solução simples e eficaz para tornar a indústria têxtil mais sustentável’, explicou.
Após os painéis, os palestrantes promoveram uma roda de conversa com o público, na qual responderam dúvidas. Dessa forma, o seminário mostrou que, embora a indústria têxtil catarinense tenha desafios pela frente, ela também tem enormes oportunidades para liderar a transformação para um modelo de negócio mais sustentável e inovador.
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