
Olesc 2024 (Maravilha, Saudades e Pinhalzinho)
1- Itajaí 109
2- Florianópolis 98
3- Joinville 94
4- Blumenau 82

Joguinhos Abertos 2024 (Caçador)
1- Joinville 152
2- Jaraguá do Sul 138
3- Itajaí 136
4- Blumenau 115

Jogos Abertos 2024 (Concórdia)
Ainda vai ser realizado.
De 12 a 23 de novembro.

Olesc 2023 (Florianópolis)
1- Joinville 119
2- Jaraguá do Sul 117
3- Florianópolis 109
4- Itajaí 105
5- Blumenau 83

Joguinhos Abertos 2023 (Curitibanos)
1- Joinville 129
2- Jaraguá do Sul 122
3- Blumenau 113

Jogos Abertos 2023 (Rio do Sul)
Cancelado por causa das enchentes.

Olesc 2022 (Curitibanos)
1- Florianópolis 109
2- Joinville 109
3- Jaraguá do Sul 87
4- Blumenau 83

Joguinhos Abertos 2022 (Blumenau)
1- Jaraguá do Sul 113
2- Blumenau 105
3- Itajaí 99

Jogos Abertos 2022 (Rio do Sul)
1- Itajaí 225
2- Blumenau 183
3- São José 164

Olesc 2021 (Curitibanos)
1- Jaraguá do Sul 113
2- Florianópolis 101
3- Blumenau 98

Joguinhos Abertos 2021 (Videira e Criciúma)
1- Blumenau 116
2- Jaraguá do Sul 98
3- Florianópolis 90

Jogos Abertos 2021 (São José)
1- Blumenau 248
2- São José 171
3- Florianópolis 152

Fiz o recorte dos últimos quatro anos para mostrar, no geral, que não somos mais a imbatível potência do esporte amador, tão apregoada e vangloriada.
Em se tratando de Jogos Abertos não tem conversa, é covardia.
Jamais seremos superados.

Das 59 edições oficialmente disputadas (5 foram canceladas), Blumenau venceu 43.
Contra 8 títulos de Florianópolis (1960, 1961, 2001, 2002, 2009, 2010, 2011, 2012).
4 de Joinville (1963, 1966, 1992, 1993).
E 4 de Itajaí (2014, 2015, 2017, 2022).

A maioria dos troféus, ganhos no passado.
Quando nosso esporte era referência, prioridade para políticos e dirigentes.
Que falavam a mesma língua e buscavam o mesmo objetivo, que era fazer história.

A cidade foi campeã em 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1977, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982 (1983 não ocorreu por causa da enchente), 1984, 1985, 1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1991.
Uma invencibilidade de 24 anos.
Foram mais sete vitórias seguidas em 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000.
Além de 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 (a tragédia climática cancelou a sede de 2008).
Por fim, os últimos títulos, em 2013 e 2021.
As edições de 2016, 2020 e 2023 não foram realizadas, respectivamente, por causa do vendaval em Tubarão, da pandemia global e da enchente em Rio do Sul.

Atletas e técnicos eram valorizados.
Retribuíam o apoio com paixão e vitórias.
Fizemos escola, é verdade, ao importar profissionais de tudo quanto é canto.
Muitos, no entanto, não vieram a passeio.
Vestiram a camisa com entusiasmo e ficaram por aqui.
Seguem lecionando, ensinando.
Produziram um legado.

De lá para cá muita coisa mudou.
A dificuldade já aparece na transição de um evento, por exemplo, dos Jogos da Primavera, para o alto rendimento.
Em muitos casos, é preciso contar com o amparo financeiro da família.
Ou mendigar ajuda (rifas, pedágios, pasteladas, macarronadas, feijoadas, vakinhas).
Afinal, até conseguir um valor, digamos, razoável, por meio de bolsa, o atleta vai ter de se dedicar bastante, abrir mão de muita coisa.

É o caso de Masiel Flamand.
Uma haitiana de 13 anos (está há 5 em Blumenau) que vem arrebentando no atletismo.
Esta semana tive o prazer de conhecer a sua história e a do seu treinador, Ednilson Machado, o "Montanha", que descobriu seu dom para as pistas na Escola Lúcio Esteves, no bairro Escola Agrícola.

A menina começou a fazer parte do projeto de corrida do professor em setembro do ano passado.
Desde então (independentemente do tempo) vem aprimorando sua técnica todas as noites no Parque Ramiro e nas ruas (já que é impossível treinar na pista do Sesi).

Sua evolução é impressionante.
Ela simplesmente venceu todas as etapas dos Jogos Escolares (municipal, micro regional, regional, estadual e nacional) na prova de 800 metros.
Em Recife, ainda foi segunda colocada nos 2000 metros.

Com isso conseguiu vaga para os Jogos Sul-Americanos Escolares, em Bucaramanga, na Bolívia, e para a maior competição escolar do mundo, a Gymnasiade, na Sérvia, em 2025.
Antes, em novembro, tem o Campeonato Brasileiro Interclubes Loterias Caixa, categoria Sub 16, em João Pessoa.
Na Paraíba terá de custear todas as despesas, na casa dos R$ 6 mil reais.

Por isso que o seu treinador teve a ideia de lançar o "Treino Solidário".
Que vai ser no Parque Ramiro, dia 12 de outubro, às 8h.
Voltado mais para atletas de assessorias.
Afinal não é qualquer um que corre 800 metros em 2 minutos e 22 segundos.
Quem não conseguir terá de fazer uma doação de R$ 50 para a Masiel.

Uma joia que carrega o nome de Blumenau e que recebe, por ora, R$ 217,50 de bolsa.
Por conta dos seus expressivos resultados, ela vai ter um reajuste, possivelmente em fevereiro.

Essa "mixaria" é regra, é padrão.
Ao se destacar, o valor aumenta.
Não tem jeito.
Para ganhar mais, é necessário obter ótimos resultados.
Atualmente, o programa da Secretaria Municipal do Esporte (SME) contempla 315 bolsistas, distribuídos em 36 modalidades.
Parte de R$ 100 e chega ao teto máximo de R$ 3.300,00.

A queda de rendimento na pontuação, no número de troféus e medalhas, essencialmente na primeira competição de alto rendimento, a Olesc, não é por acaso.
Com 23 edições realizadas, o ranking da Olimpíada Estudantil Catarinense é esse:
1) Joinville: 11 títulos (2003, 2004, 2005, 2006, 2008, 2010, 2015, 2016, 2017, 2019, 2023)
2) Blumenau: 4 títulos (2007, 2012, 2013 e 2018)
3) Jaraguá do Sul: 3 títulos (2001, 2002, 2021)
4) Criciúma: 2 títulos (2011 e 2014)
5) Florianópolis (2022) e Itajaí (2024) com um título cada.

Se olhar atentamente o desempenho na última Olesc, você fica assustado.
Blumenau foi primeiro lugar no xadrez e karatê femininos, vôlei masculino e ginástica rítmica, conforme aponta o site da Fesporte.
Porém, em outras modalidades coletivas, teve uma performance aquém do imaginado.

Parte da queda de desempenho (e da descoberta de novos talentos) tem a ver com os cortes no orçamento e a falta de condições e motivação para seguir carreira.
A crítica não é endereçada a nenhum prefeito ao longo do tempo.
Até prova em contrário, nenhum deles gosta de esporte ou o tem como prioridade.
Ao mesmo tempo, alguém viu alguma proposta dos candidatos ao Executivo para o esporte?
O assunto é solenemente ignorado.
Nos debates, então, é um assunto que ninguém quer explorar (os temas são previamente escolhidos).

É por isso que temos de votar em vereadores que já brigaram e vão continuar batalhando pela causa.
Reivindicando aumento de verba para as equipes que nos representam nacionalmente (a desativação do time adulto de vôlei feminino foi vergonhoso).
Lutando por mais estrutura e condições de treinamento (desde a iniciação até o adulto).
Priorizando cargos técnicos, gente do ramo, e não apadrinhados e comissionados políticos.
Criando uma Lei de Incentivo ao Esporte (que nunca saiu do papel).
Porque Blumenau se acomodou, passou a viver da fama do seu nome, se apequenou.
Deixou de ser protagonista.


Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de repórter/setorista na Rádio Unisul - atual CBN. É apresentador, repórter, produtor e editor de esportes do Balanço Geral da NDTV Blumenau. Na mesma emissora filiada à TV Record, ainda exerce a função de comentarista, no programa Clube da Bola, exibido todos os sábados, das 13h30 às 15h. Também é boleiro na Patota 5ª Tentativa.

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