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Emerson Luis. Esporte: Reflexos

Emerson Luis. Esporte: Reflexos

27/09/2024 às 19h45 Atualizada em 27/09/2024 às 22h45
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Foto: Ednilson Machado
Foto: Ednilson Machado

Olesc 2024 (Maravilha, Saudades e Pinhalzinho)

1- Itajaí 109

2- Florianópolis 98

3- Joinville 94

4- Blumenau 82

Itajaí comemora título inédito da Olesc deste ano. Foto: Fesporte

Joguinhos Abertos 2024 (Caçador)

1- Joinville 152

2- Jaraguá do Sul 138

3- Itajaí 136

4- Blumenau 115

Vitória de Joinville por 5 x 3 sobre Jaraguá no futsal foi fundamental para o título. Foto: Fesporte

Jogos Abertos 2024 (Concórdia)

Ainda vai ser realizado.

De 12 a 23 de novembro.

Olesc 2023 (Florianópolis)

1- Joinville 119

2- Jaraguá do Sul 117

3- Florianópolis 109

4- Itajaí 105

5- Blumenau 83

Dirigentes de Joinville e a taça de campeão da Olesc. Foto: Delamare de Oliveira Filho/Fesporte

Joguinhos Abertos 2023 (Curitibanos)

1- Joinville 129

2- Jaraguá do Sul 122

3- Blumenau 113

Joinville no lugar mais alto do pódio nos Joguinhos. Foto: Fesporte

Jogos Abertos 2023 (Rio do Sul)

Cancelado por causa das enchentes.

Olesc 2022 (Curitibanos)

1- Florianópolis 109

2- Joinville 109

3- Jaraguá do Sul 87

4- Blumenau 83

Florianópolis vibra com primeiro título da história da Olesc. Foto: Internet

Joguinhos Abertos 2022 (Blumenau)

1- Jaraguá do Sul 113

2- Blumenau 105

3- Itajaí 99

Ginástica Artística de Blumenau levou o ouro em 2022. Foto: Ablugo

Jogos Abertos 2022 (Rio do Sul)

1- Itajaí 225

2- Blumenau 183

3- São José 164

Itajaí conquistou em Rio do Sul seu 4º título de JASC. Foto: Antonio Prado/Fesporte

Olesc 2021 (Curitibanos)

1- Jaraguá do Sul 113

2- Florianópolis 101

3- Blumenau 98

Olesc de 2021 foi disputada em várias sedes por causa da pandemia. Foto: Fesporte

Joguinhos Abertos 2021 (Videira e Criciúma)

1- Blumenau 116

2- Jaraguá do Sul 98

3- Florianópolis 90

Blumenau ganhou seu último título de expressão em 2021. Foto: Fesporte

Jogos Abertos 2021 (São José)

1- Blumenau 248

2- São José 171

3- Florianópolis 152

Em São José, Blumenau ergueu o 43º troféu em 59 edições dos JASC. Foto: Fesporte

Fiz o recorte dos últimos quatro anos para mostrar, no geral, que não somos mais a imbatível potência do esporte amador, tão apregoada e vangloriada.

Em se tratando de Jogos Abertos não tem conversa, é covardia.

Jamais seremos superados.

1º JASC da história, em 1960, em Brusque. Foto: Site Brusque Memória

Das 59 edições oficialmente disputadas (5 foram canceladas), Blumenau venceu 43.

Contra 8 títulos de Florianópolis (1960, 1961, 2001, 2002, 2009, 2010, 2011, 2012).

4 de Joinville (1963, 1966, 1992, 1993).

E 4 de Itajaí (2014, 2015, 2017, 2022).

Disputa do atletismo em Brusque. Foto: Site Brusque Memória

A maioria dos troféus, ganhos no passado.

Quando nosso esporte era referência, prioridade para políticos e dirigentes.

Que falavam a mesma língua e buscavam o mesmo objetivo, que era fazer história.

Cerimonial de Abertura dos JASC em Blumenau. Foto: Internet

A cidade foi campeã em 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1977, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982 (1983 não ocorreu por causa da enchente), 1984, 1985, 1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1991.

Uma invencibilidade de 24 anos.

Foram mais sete vitórias seguidas em 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000.

Além de 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 (a tragédia climática cancelou a sede de 2008).

Por fim, os últimos títulos, em 2013 e 2021.

As edições de 2016, 2020 e 2023 não foram realizadas, respectivamente, por causa do vendaval em Tubarão, da pandemia global e da enchente em Rio do Sul.

Registro tradicional para comemorar o titulo dos JASC. Foto: SME/Blumenau

Atletas e técnicos eram valorizados.

Retribuíam o apoio com paixão e vitórias.

Fizemos escola, é verdade, ao importar profissionais de tudo quanto é canto.

Muitos, no entanto, não vieram a passeio.

Vestiram a camisa com entusiasmo e ficaram por aqui.

Seguem lecionando, ensinando.

Produziram um legado.

Blumenau vibra com o título de 2019. Foto: Internet

De lá para cá muita coisa mudou.

A dificuldade já aparece na transição de um evento, por exemplo, dos Jogos da Primavera, para o alto rendimento.

Em muitos casos, é preciso contar com o amparo financeiro da família.

Ou mendigar ajuda (rifas, pedágios, pasteladas, macarronadas, feijoadas, vakinhas).

Afinal, até conseguir um valor, digamos, razoável, por meio de bolsa, o atleta vai ter de se dedicar bastante, abrir mão de muita coisa.

Jogo de basquete nos Jogos da Primavera. Foto: Internet

É o caso de Masiel Flamand.

Uma haitiana de 13 anos (está há 5 em Blumenau) que vem arrebentando no atletismo.

Esta semana tive o prazer de conhecer a sua história e a do seu treinador, Ednilson Machado, o "Montanha", que descobriu seu dom para as pistas na Escola Lúcio Esteves, no bairro Escola Agrícola.

Com Ednilson, Masiel e Jair no Parque Ramiro gravando para a NDTV. Foto: Arquivo pessoal

A menina começou a fazer parte do projeto de corrida do professor em setembro do ano passado.

Desde então (independentemente do tempo) vem aprimorando sua técnica todas as noites no Parque Ramiro e nas ruas (já que é impossível treinar na pista do Sesi).

Projeto de atletismo do professor Ednilson Machado no Parque Ramiro. Foto: Internet

Sua evolução é impressionante.

Ela simplesmente venceu todas as etapas dos Jogos Escolares (municipal, micro regional, regional, estadual e nacional) na prova de 800 metros.

Em Recife, ainda foi segunda colocada nos 2000 metros.

Dupla vibra com a conquista do ouro em Recife. Foto: CBDE

Com isso conseguiu vaga para os Jogos Sul-Americanos Escolares, em Bucaramanga, na Bolívia, e para a maior competição escolar do mundo, a Gymnasiade, na Sérvia, em 2025.

Antes, em novembro, tem o Campeonato Brasileiro Interclubes Loterias Caixa, categoria Sub 16, em João Pessoa.

Na Paraíba terá de custear todas as despesas, na casa dos R$ 6 mil reais.

Masiel foi descoberta na Escola Lúcio Esteves. Foto: Fesporte

Por isso que o seu treinador teve a ideia de lançar o "Treino Solidário".

Que vai ser no Parque Ramiro, dia 12 de outubro, às 8h.

Voltado mais para atletas de assessorias.

Afinal não é qualquer um que corre 800 metros em 2 minutos e 22 segundos.

Quem não conseguir terá de fazer uma doação de R$ 50 para a Masiel.

Masiel Flamand após mais uma vitória no atletismo. Foto: Fesporte

Uma joia que carrega o nome de Blumenau e que recebe, por ora, R$ 217,50 de bolsa.

Por conta dos seus expressivos resultados, ela vai ter um reajuste, possivelmente em fevereiro.

Haitiana radicada em Blumenau vem despontando nas provas de fundo. Foto: Arquivo pessoal

Essa "mixaria" é regra, é padrão.

Ao se destacar, o valor aumenta.

Não tem jeito.

Para ganhar mais, é necessário obter ótimos resultados.

Atualmente, o programa da Secretaria Municipal do Esporte (SME) contempla 315 bolsistas, distribuídos em 36 modalidades.

Parte de R$ 100 e chega ao teto máximo de R$ 3.300,00.

No lugar mais alto do pódio após uma prova. Foto: Arquivo pessoal

A queda de rendimento na pontuação, no número de troféus e medalhas, essencialmente na primeira competição de alto rendimento, a Olesc, não é por acaso.

Com 23 edições realizadas, o ranking da Olimpíada Estudantil Catarinense é esse:

1) Joinville: 11 títulos (2003, 2004, 2005, 2006, 2008, 2010, 2015, 2016, 2017, 2019, 2023)
2) Blumenau: 4 títulos (2007, 2012, 2013 e 2018)
3) Jaraguá do Sul: 3 títulos (2001, 2002, 2021)
4) Criciúma: 2 títulos (2011 e 2014)
5) Florianópolis (2022) e Itajaí (2024) com um título cada.

Equipe de vôlei comemora conquista na Olesc. Foto: SME/Blumenau

Se olhar atentamente o desempenho na última Olesc, você fica assustado.

Blumenau foi primeiro lugar no xadrez e karatê femininos, vôlei masculino e ginástica rítmica, conforme aponta o site da Fesporte.

Porém, em outras modalidades coletivas, teve uma performance aquém do imaginado.

Campeão no feminino e vice no masculino, xadrez teve o melhor desempenho na última Olesc. Foto: CXB

Parte da queda de desempenho (e da descoberta de novos talentos) tem a ver com os cortes no orçamento e a falta de condições e motivação para seguir carreira.

A crítica não é endereçada a nenhum prefeito ao longo do tempo.

Até prova em contrário, nenhum deles gosta de esporte ou o tem como prioridade.

Ao mesmo tempo, alguém viu alguma proposta dos candidatos ao Executivo para o esporte?

O assunto é solenemente ignorado.

Nos debates, então, é um assunto que ninguém quer explorar (os temas são previamente escolhidos).

Time principal de vôlei saiu direto da Superliga para o encerramento das atividades. Foto: Bluvôlei

É por isso que temos de votar em vereadores que já brigaram e vão continuar batalhando pela causa.

Reivindicando aumento de verba para as equipes que nos representam nacionalmente (a desativação do time adulto de vôlei feminino foi vergonhoso).

Lutando por mais estrutura e condições de treinamento (desde a iniciação até o adulto).

Priorizando cargos técnicos, gente do ramo, e não apadrinhados e comissionados políticos.

Criando uma Lei de Incentivo ao Esporte (que nunca saiu do papel).

Porque Blumenau se acomodou, passou a viver da fama do seu nome, se apequenou.

Deixou de ser protagonista.

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de repórter/setorista na Rádio Unisul - atual CBN. É apresentador, repórter, produtor e editor de esportes do Balanço Geral da NDTV Blumenau. Na mesma emissora filiada à TV Record, ainda exerce a função de comentarista, no programa Clube da Bola, exibido todos os sábados, das 13h30 às 15h. Também é boleiro na Patota 5ª Tentativa.   

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