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Emerson Luis. Esporte: São Tomé

Emerson Luis. Esporte: São Tomé

05/07/2024 às 18h03 Atualizada em 05/07/2024 às 21h03
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Complexo Esportivo Bernardo Werner será do município. Foto: Fiesc
Complexo Esportivo Bernardo Werner será do município. Foto: Fiesc

Eu preciso ver para crer.

A vida me ensinou a ser assim.

Cético.

Principalmente quando algum projeto tem envolvimento político.

A vinda da comitiva do governador, em abril, para o anúncio da municipalização do Sesi, me deixou ainda mais descrente.

Pois estive no Complexo Esportivo fazendo reportagem para a NDTV.

E percebi como somos manipulados pelo sistema.

Visita do governador no Sesi em abril. Foto: Larissa da Silva/ND

A cerimônia da última quinta-feira (4) foi protocolar.

Foi antecipada por conta das restrições do calendário eleitoral que começam este mês.

A partir deste sábado (6), por exemplo, fica proibida a participação de candidatos em inaugurações de obras públicas.

E lógico, o maior interesse foi o pleito de 6 de outubro.  

Assinatura do protocolo de transferência do Sesi para o município. Foto: Michele Lamin

A quadra principal do Sesi virou um palanque.

Normal.

Não vejo problema algum.

Desde que o projeto saia do papel o quanto antes.

Encontro da última quinta-feira. Foto: Marcos Fernandes/Portal Alexandre José

Até porque, por ora, o Sesi ainda não é do município.

Vai ser, em breve.

Não tem mais volta.

Mas ainda não é.

O primeiro passo foi dado.

Assinatura do protocolo. Foto: Marcos Fernandes/Portal Alexandre José

Na negociação, o governo permutou para a Fiesc três terrenos (dois em Florianópolis e um em Joinville) e pagou R$ 10 milhões.

Processos que estão em avaliação.

Quando tudo estiver acertado, o Estado vai encaminhar um projeto de lei à Assembleia Legislativa a fim de formalizar o ato junto à prefeitura.

Complexo Esportivo do Sesi. Foto: Divulgação/Fiesc

De qualquer maneira, antes de outubro, por razões obvias, nada deve ser feito.

Nem mesmo a transferência das três secretarias que vão administrar o local: Turismo e Lazer (Sectur), Esportes (SME) e Inclusão da Pessoa com Deficiência e Paradesporto (Seidep).

Piscina e quadras do Sesi. Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SECOM

Depois de resolvida a burocracia vem a questão mais espinhosa, o dinheiro.

Garantidos mesmo estão os R$ 5 milhões da bancada do Vale do Itajaí - entra na conta da prefeitura na próxima semana.

Não se sabe ainda onde esse valor será aplicado.

Piscina do Sesi já foi a casa da natação blumenauense. Foto: Internet

Bom lembrar que um levantamento apontou que são necessários R$ 30 milhões para manutenção e reformas do Complexo Esportivo Bernardo Werner.

O ex-governador Carlos Moisés prometeu, ano passado, além da mesma quantia para a compra, outros R$ 20 milhões para as primeiras reformas consideradas urgentes.

Perguntado sobre a possibilidade de novos recursos, Jorginho Mello deixou bem claro que o Estado não pode resolver todos os problemas.

Pista de atletismo do Complexo Esportivo do Sesi. Foto: Emerson Luis

Com esse valor não dá nem para construir uma nova pista de atletismo.

Nível 2, com condições de receber competições como Troféu Brasil, Desafio CBAt Loterias Caixa, Campeonatos Brasileiro, Ibero-Americano, e Sul-Americano - uma pista de ponta custa R$ 10 milhões.

Neste ano, deixamos de receber os Jogos da Juventude, uma competição nacional, que envolve mais de 12 mil atletas, além de dirigentes, técnicos e árbitros.

Sobrou a realização dos Jogos Escolares de Santa Catarina (Jesc) com o envolvimento de 16 modalidades.

A estrutura é gigante.

Muita coisa precisa ser feita.

Só o conserto do telhado - as duas quadras principais sofrem com goteiras - foi orçado em R$ 2 milhões.

Cobertura do ginásio do Sesi. Foto: Emerson Luis

E tem também as reformas do estádio para receber jogos, ao menos, da Série B catarinense.

A parte elétrica necessita de uma avaliação criteriosa.

E os vestiários sofrem com a ação do tempo, já que não são usados desde 2019.

Complexo Esportivo do Sesi. Foto: Eraldo Schnaider/Prefeitura de Blumenau

Vou dar um voto de confiança para uma pessoa com peso e influência dentro da prefeitura, com quem conversei.

Se depender da sua vontade, esses R$ 6 milhões serão aplicados no estádio.

Para beneficiar o futebol e o turismo (a pista de atletismo seria retirada e preparada para receber o novo piso posteriormente).

Com jogos e grandes shows musicais (só este ano, o Parque Vila Germânica tem 290 datas reservadas para eventos).

Parque Vila Germânica. Foto: Prefeitura Municipal de Blumenau

Optando pelo gramado sintético é possível conciliar as duas atrações.

Valor: R$ 3 milhões (a grama normal fica perto de R$ 800 mil).

Nos dois casos já está incluído o aumento das dimensões, que hoje não atendem às exigências da Federação.

Foto do gramado do Sesi em 2023. Foto: Emerson Luis

Evidente, reforço, que tudo passa pela vitória nas eleições.

Otimista, minha fonte garantiu que daria para deixar tudo pronto até a metade de janeiro.

Quando começa a Série A estadual.

Piso do atletismo seria retirado caso o campo seja mexido. Foto: Marcos Fernandes

Blumenau e Metropolitano ainda estão na disputa da segunda divisão.

Faltam três rodadas para a confirmação da classificação para a 2ª fase.

Precisam melhorar, caso queiram subir.

No domingo (7), às 15h, o BEC enfrenta o Juventus, em Jaraguá do Sul.

E o Metrô, na quinta-feira (11), às 17h, encara o Carlos Renaux, que inauguraria o novo Estádio Augusto Bauer e seu gramado artificial.

Porém, não ficou pronto.

A partida será em Balneário Camboriú no Estádio das Nações.

Novo Estádio Augusto Bauer. Foto: José Carlos Baumgartner/Carlos Renaux

Estou botando fé.

Só que uma coisa me intriga.

Se ninguém conseguiu R$ 500 mil (três meses de salário atrasados) para evitar a "morte" do time adulto do Bluvôlei, como terá condições de injetar R$ 30 milhões no Sesi?

Deveremos ter, em tese, uma aplicação de recursos à conta gotas.

Bluvôlei e Sesc RJ no Galegão. Foto: Lucas Prudêncio

A propósito, a municipalização abafou bem o episódio, que considero gravíssimo.

Conseguiu adiar, inclusive, o tema de hoje.

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de repórter/setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter, produtor e editor de esportes do Balanço Geral da NDTV Blumenau. Na mesma emissora filiada à TV Record, ainda exerce a função de comentarista, no programa Clube da Bola, exibido todos os sábados, das 13h30 às 15h. Também é boleiro na Patota 5ª Tentativa     

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