
Eu preciso ver para crer.
A vida me ensinou a ser assim.
Cético.
Principalmente quando algum projeto tem envolvimento político.
A vinda da comitiva do governador, em abril, para o anúncio da municipalização do Sesi, me deixou ainda mais descrente.
Pois estive no Complexo Esportivo fazendo reportagem para a NDTV.
E percebi como somos manipulados pelo sistema.

A cerimônia da última quinta-feira (4) foi protocolar.
Foi antecipada por conta das restrições do calendário eleitoral que começam este mês.
A partir deste sábado (6), por exemplo, fica proibida a participação de candidatos em inaugurações de obras públicas.
E lógico, o maior interesse foi o pleito de 6 de outubro.

A quadra principal do Sesi virou um palanque.
Normal.
Não vejo problema algum.
Desde que o projeto saia do papel o quanto antes.

Até porque, por ora, o Sesi ainda não é do município.
Vai ser, em breve.
Não tem mais volta.
Mas ainda não é.
O primeiro passo foi dado.

Na negociação, o governo permutou para a Fiesc três terrenos (dois em Florianópolis e um em Joinville) e pagou R$ 10 milhões.
Processos que estão em avaliação.
Quando tudo estiver acertado, o Estado vai encaminhar um projeto de lei à Assembleia Legislativa a fim de formalizar o ato junto à prefeitura.

De qualquer maneira, antes de outubro, por razões obvias, nada deve ser feito.
Nem mesmo a transferência das três secretarias que vão administrar o local: Turismo e Lazer (Sectur), Esportes (SME) e Inclusão da Pessoa com Deficiência e Paradesporto (Seidep).

Depois de resolvida a burocracia vem a questão mais espinhosa, o dinheiro.
Garantidos mesmo estão os R$ 5 milhões da bancada do Vale do Itajaí - entra na conta da prefeitura na próxima semana.
Não se sabe ainda onde esse valor será aplicado.

Bom lembrar que um levantamento apontou que são necessários R$ 30 milhões para manutenção e reformas do Complexo Esportivo Bernardo Werner.
O ex-governador Carlos Moisés prometeu, ano passado, além da mesma quantia para a compra, outros R$ 20 milhões para as primeiras reformas consideradas urgentes.
Perguntado sobre a possibilidade de novos recursos, Jorginho Mello deixou bem claro que o Estado não pode resolver todos os problemas.

Com esse valor não dá nem para construir uma nova pista de atletismo.
Nível 2, com condições de receber competições como Troféu Brasil, Desafio CBAt Loterias Caixa, Campeonatos Brasileiro, Ibero-Americano, e Sul-Americano - uma pista de ponta custa R$ 10 milhões.
Neste ano, deixamos de receber os Jogos da Juventude, uma competição nacional, que envolve mais de 12 mil atletas, além de dirigentes, técnicos e árbitros.
Sobrou a realização dos Jogos Escolares de Santa Catarina (Jesc) com o envolvimento de 16 modalidades.

A estrutura é gigante.
Muita coisa precisa ser feita.
Só o conserto do telhado - as duas quadras principais sofrem com goteiras - foi orçado em R$ 2 milhões.

E tem também as reformas do estádio para receber jogos, ao menos, da Série B catarinense.
A parte elétrica necessita de uma avaliação criteriosa.
E os vestiários sofrem com a ação do tempo, já que não são usados desde 2019.

Vou dar um voto de confiança para uma pessoa com peso e influência dentro da prefeitura, com quem conversei.
Se depender da sua vontade, esses R$ 6 milhões serão aplicados no estádio.
Para beneficiar o futebol e o turismo (a pista de atletismo seria retirada e preparada para receber o novo piso posteriormente).
Com jogos e grandes shows musicais (só este ano, o Parque Vila Germânica tem 290 datas reservadas para eventos).

Optando pelo gramado sintético é possível conciliar as duas atrações.
Valor: R$ 3 milhões (a grama normal fica perto de R$ 800 mil).
Nos dois casos já está incluído o aumento das dimensões, que hoje não atendem às exigências da Federação.

Evidente, reforço, que tudo passa pela vitória nas eleições.
Otimista, minha fonte garantiu que daria para deixar tudo pronto até a metade de janeiro.
Quando começa a Série A estadual.

Blumenau e Metropolitano ainda estão na disputa da segunda divisão.
Faltam três rodadas para a confirmação da classificação para a 2ª fase.
Precisam melhorar, caso queiram subir.

No domingo (7), às 15h, o BEC enfrenta o Juventus, em Jaraguá do Sul.
E o Metrô, na quinta-feira (11), às 17h, encara o Carlos Renaux, que inauguraria o novo Estádio Augusto Bauer e seu gramado artificial.
Porém, não ficou pronto.
A partida será em Balneário Camboriú no Estádio das Nações.

Estou botando fé.
Só que uma coisa me intriga.
Se ninguém conseguiu R$ 500 mil (três meses de salário atrasados) para evitar a "morte" do time adulto do Bluvôlei, como terá condições de injetar R$ 30 milhões no Sesi?
Deveremos ter, em tese, uma aplicação de recursos à conta gotas.

A propósito, a municipalização abafou bem o episódio, que considero gravíssimo.
Conseguiu adiar, inclusive, o tema de hoje.

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de repórter/setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter, produtor e editor de esportes do Balanço Geral da NDTV Blumenau. Na mesma emissora filiada à TV Record, ainda exerce a função de comentarista, no programa Clube da Bola, exibido todos os sábados, das 13h30 às 15h. Também é boleiro na Patota 5ª Tentativa


Mín. 20° Máx. 34°