
Não tenho mais nenhuma perspectiva quanto à municipalização do Sesi este ano.
Prometi para mim mesmo que só voltaria a falar do tema (abordado na última coluna por conta da eliminação do Metropolitano) quando surgisse uma notícia concreta, oficializando a transação.

No entanto, a reportagem que produzi para o esporte do Balanço Geral da NDTV me obrigou a tocar no assunto novamente.
Os reflexos que a novela produz.
Negativos, evidentemente.
Para o futebol.
E para o atletismo.

Que, por mais incrível que pareça, ainda constrói histórias vitoriosas.
Como a da blumenauense Thaynara Alves de 17 anos.
Descoberta aos 10 anos na Escola Oscar Unbehaun, no bairro Água Verde, pelo professor Daniel Tribess.
Dois anos depois participou dos Jogos da Primeira.
Em seguida foi selecionada para a equipe de rendimento da AABLU (Associação de Atletismo de Blumenau).

Seu talento foi lapidado.
Mesmo convivendo com lesões e adversidades, se tornou bicampeã brasileira de heptatlo - a mais difícil prova do atletismo.
Em 2021, em Cascavel PR, na categoria Sub-16.

E no fim de semana que passou em Aracaju SE, na categoria Sub-18.

O que valoriza demais o feito dessa menina (e de todos que fazem parte da equipe) é que ela fez boa parte de sua preparação na arrebentada pista do Sesi e em alguns equipamentos degradados com a ação do tempo.

Sesi, que não canso de falar, foi parceiro do futebol profissional e amador e segue sendo um grande aliado do vôlei, handebol, futsal, ginástica, modalidades do programa paradesporto, dos Jogos da Primavera e, lógico, do atletismo.

O sistema Fiesc foi vítima da empresa paulista que fez a reforma da pista, conforme matéria de 2016 que destacou a reinauguração e outras obras do Complexo Esportivo.
As infiltrações que ocasionaram as rachaduras e as bolhas existentes são produto de um trabalho mal feito.

Toda a pista está comprometida.
Até a borracha dos primeiros 100 metros (do lado da arquibancada) começou a soltar.
Aliás, a administração comunicou à Secretaria Municipal do Esporte (SME) que liberaria apenas esse espaço para treinamento.
Até porque a estrutura atual coloca em risco a integridade física dos atletas.

A AABLU bateu o pé.
Respondeu que não poderia abrir mão da pista completa.
Mesmo com seu estado “lunar”.
Não daria para fazer um vai e vem na reta dos 100 metros, por exemplo.
Pois há especialistas nos 200, 400 e 1500 metros.
A associação teve de assinar um termo de consentimento.
Se responsabilizando por qualquer tipo de lesão.

100 metros com barreira.
Salto em altura.
Arremesso de peso.
200 metros rasos.
Salto em distância.
Lançamento de dardo.
800 metros rasos.
Sete provas disputadas em dois dias.

Imagina se a Thaynara fizesse sua preparação em condições, digamos, normais.
Ruim com o Sesi.
Pior sem ele.
Mesmo com o cenário atual.



Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é comentarista do Programa Alexandre José, na Rádio Clube FM 89.1, nas segundas, quartas e quintas-feiras, às 7h40. Também atua como apresentador, repórter e produtor no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV RecordTV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa.
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