Cuiabá (Família Dresch).
Cruzeiro (Ronaldo Nazário).
Bahia (Grupo City).
Botafogo (John Textor).
Vasco (777 Partner).
Coritiba (Treecorp Investimentos).
Clubes de Série A.
Administrados por Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
O Bragantino também é clube-empresa desde 2019.
Com Sociedade Limitada (LTDA).
Foi adquirido pelo grupo austríaco de energéticos Red Bull, por R$ 45 milhões.
Antes da aprovação da Lei da SAF, em 2021.

A primeira instituição a seguir esse modelo foi o Cuiabá, que já era clube-empresa desde a sua fundação, em 2009.
Apenas aguardava a aprovação da nova legislação.
É comandado pela família dona da indústria de borracha Drebor.
Os Dresch não revelam quanto investiram e muito menos o faturamento.
Sabe-se que administram o orçamento com mão de ferro, pagam os jogadores em dia e não acumulam dívida.
O Red Bull Bragantino também não costuma prestar contas sobre os negócios.
O que, nos dois casos, derruba a tese da transparência, tão decantada por quem passa a ser inserido nesse modelo de gestão.

Em Santa Catarina, Figueirense e Hercílio Luz viraram SAF.
Avaí, Chapecoense e Joinville devem seguir o mesmo caminho.

Assim como o Blumenau Esporte Clube.
Que vai apresentar a proposta na Assembleia Geral marcada para o dia 11 de julho.
O blumenauense Israel de Souza, do ramo de construções e empreendimentos imobiliários, principal investidor do BEC, que recentemente adquiriu a marca em um leilão, é um dos interessados.
Junto com empresários da bola de Florianópolis (não é a empresa do ex-lateral André Santos que passou pelo Metropolitano).
Há outros parceiros envolvidos.
O presidente Carlos Roberto de Oliveira, naturalmente, é um deles.
A proposta deve ser aprovada pelos 12 sócios fundadores, os 15 sócios patrimoniais e quatro diretores (presidente, vice-presidente, financeiro e secretário).
Não creio que alguém vá se opor.
Afinal existe a chance de, em tese, reestruturar e “ressuscitar” uma instituição que está com a imagem desgastada e sem credibilidade junto à torcida e à sociedade como um todo.

Seguindo a linha da maioria dos processos que viraram SAF, a tendência é que 90% da participação deva ficar para os investidores.
E 10% para o clube.
Como o primeiro passo é convencer as pessoas de que essa é a melhor alternativa para o futuro, sabe-se apenas que a primeira medida deve ser o pagamento da dívida, na casa dos R$ 600 mil.
Passivo de ações trabalhistas e com fornecedores que pode cair pela metade na hora do acerto.
Afinal, com dinheiro na mão tudo se resolve de maneira mais rápida.
Sobre o aporte de recursos não existe nada concreto.
Zerar as contas, seguir investindo na base (da FME de Indaial) e subir para a Série B estão entre as prioridades.
Jogar em Blumenau em 2024 é outro desejo, embora isso dependa da municipalização do Sesi.

De qualquer maneira, os investidores precisam de segurança e garantia.
Daqui a pouco acontece nova eleição e todo dinheiro que foi colocado acaba não sendo recuperado.
Ninguém aplica grana no futebol por paixão ou hobby.
Todo mundo quer retorno.
Como qualquer empresa.
E o modelo SAF permite isso.

Para tentar entender como funciona a engenharia financeira, eis o trâmite mais recente, do Coritiba, vendido por R$ 1,1 bilhão para a Treecorp Investimentos, fundo brasileiro com sede em São Paulo.
Não dá para comparar o tamanho e a estrutura do Coritiba com o BEC.
É só um exemplo.

Entre as promessas estão:
Quitação total da dívida, em torno de R$ 270 milhões (pagamento que deve ser concluído em um intervalo de 10 anos).
Construção de um novo centro de treinamentos em Campina Grande do Sul, com investimento de R$ 100 milhões.
Mais R$ 450 milhões (também ao longo de 10 anos) que serão injetados no futebol.
Reforma e modernização do estádio Couto Pereira, com R$ 500 milhões previstos.

Organizar um clube de futebol é caro.
Os custos aumentam anualmente e grande parte deles carrega dívidas sufocantes.
Nestas condições, para a maioria, a única alternativa capaz de trazer recursos relevantes para tentar remediar essa situação é a criação da SAF e a venda de ações.

É irreversível.
Se faz necessário por conta da péssima situação econômica de muitos clubes que, em razão de gestores irresponsáveis, acumularam passivos altíssimos.
O que esse novo modelo prega é profissionalismo e seriedade.
São dois valores indispensáveis quando se pensa em gestão.
O modelo SAF carrega uma exigência básica: gastar menos do que recebe.

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é comentarista do Programa Alexandre José, na Rádio Clube FM 89.1, nas segundas, quartas e quintas-feiras, às 7h40. Também atua como apresentador, repórter e produtor no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV RecordTV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa.

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