
Durante a coletiva de imprensa que aconteceu na tarde desta segunda-feira (17) com os membros das forças de segurança do Estado de Santa Catarina para divulgar o resultado da investigação sobre a tragédia que vitimou quatro crianças e deixou outras cinco feridas na creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, no último dia 5 de abril, o delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, fez um apelo a todos: que parem de divulgar notícias falsas.
No início do discurso, o delegado ressaltou que o compartilhamento de fake news apenas atrapalha o andamento das investigações, além de ser um desperdício de trabalho, já que a mesma força usada para investigar uma informação verdadeira é igualmente empregada para investigar a fake news.
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"Gostaria de dizer que desde o dia 5 nós estamos enfrentando uma enxurrada de fake news e isso tem nos preocupado muito, porque essas notícias falsas que estão sendo divulgadas, espalhadas em Facebook, Instagram, grupos de WhatsApp e outras redes sociais têm causado pânico na população. Isso nos preocupa porque nós poderíamos estar investigando crimes e muitas vezes temos que ficar investigando fake news e isso enseja o mesmo trabalho que uma investigação complexa. Nós pedimos à população, não só catarinense, mas do Brasil todo, que não divulgue notícias falsas, que busque nos sites dos governos, nos sites das polícias e nos organismos de imprensa as informações verídicas, porque situações como essa causam pânico e mais estresse em uma sociedade que já vem sofrendo muito com diversos problemas", destacou.
Inquérito policial
Entre as notícias falsas mais divulgadas no dia do atentado estava de que o crime faria parte de uma aposta de um jogo de internet e que outros atentados estavam planejados, informação que foi desmentida pela Polícia Civil no mesmo dia. Agora, a finalização do inquérito policial comprova que o homem agiu sozinho e foi o único autor do crime.
"Por todo o exposto, considerando todos os elementos angariados no decorrer da investigação, conclui-se que, de plena consciência da ilicitude do fato, como também de livre e espontânea vontade, o homem foi o autor do crime”, disse o delegado-geral.
Por meio de relatório de análise de extração de dados, observou-se que o investigado pesquisava na internet sobre ocultismos, seitas e magias. Após analisar as pesquisas feitas em navegadores de internet, a Polícia Civil comprovou que, no dia 15 de março, ou seja, 21 dias antes do ocorrido, o investigado procurou por modelos de machados.
A psicóloga Policial Civil Larissa Canali disse que no decorrer das investigações não apareceu nenhum diagnóstico oficial de que o criminoso tenha algum transtorno mental. “O histórico é de surtos possivelmente psicóticos, talvez potencializados pelo uso de drogas”, comentou.
Indiciamento
O autor vai responder por quatro homicídios consumados e cinco tentativas de homicídio, todos eles com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa das vítimas e por serem menores de 14 anos.
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