
Você sabia que dependendo do seu estado emocional a direção fica mais perigosa e potencializa o risco de acidentes? Desde acordar de mau humor, discutindo logo cedo, se sentindo frustrado, triste, irado ou até mesmo discutir com o carona enquanto dirige são gatilhos que farão o motorista descontar nos comandos para dirigir. O estado emocional do carona pode fazer com que a viagem curta ou longa não se cumpra. Um carona desafiador ou que responde na hora errada também concorre para que tudo dê errado.
Quando se analisa especificamente alguns casos de acidentes noticiados na mídia não se demora muito a entender a causa de alguns sinistros no trânsito.
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Faz alguns anos gerou comoção a morte de uma família inteira na BR-470 nas primeiras horas da manhã. O motorista tinha trabalhado à noite e só passou em casa para acomodar as bagagens da família no carro. Estava cansado e triste porque teria de dirigir até Rio do Sul porque um familiar próximo estava hospitalizado e teria só algumas horas de vida.
Em um dos trechos mais críticos da rodovia, em Indaial, tentou ultrapassar e colidiu de frente. Os filhos pequenos também não resistiram e a comoção de ver uma família inteira dizimada mexeu com a população.
Não precisa ir muito longe: no meu círculo de pessoas próximas um casal de amigos muito queridos dirigia para Mafra para o velório da mãe de um deles quando colidiram subindo a serra. A mulher ficou tetraplégica, perdeu a fala, só se comunicava com os olhos. Resistiu à todo tipo de dor por apenas 2 anos.
Eu mesma quando dirigia para o velório da minha mãe me distraí de tal forma com pensamentos de dor e sofrimento que ia passando direto na rotatória. Por mais que não exista motorista perfeito todos estamos expostos a dores emocionais que nos distraem ai dirigir.
Em tantos outros casos de colisões, uma delas na rua 7 de setembro, um casal discutia ao volante. O motorista não viu o sinal ficar vermelho, o que estava de carona puxou o freio de mão com tudo, o carro capotou e foi parar amassado no poste.
Quem dirige cedo para o trabalho chega a se espantar que o dia nem tenha clareado direito ainda e já haja motoristas mau humorados acelerando demais, buzinando, ultrapassando em local proibindo, xingando e fazendo sinal de dedo.
Se começam o dia ao volante dessa forma já não começam bem.
Muitos não sabem, mas quando os condutores passam pelo primeiro filtro do processo de habilitação uma das variáveis a serem avaliadas é a agressividade e a impulsividade. Eis uma combinação perigosa quando as emoções dos motoristas afloram no trânsito.
Por mais que quem esquente a cabeça seja o fósforo tem muito motorista que precisa desacelerar no estado emocional, respirar, focar no ato de dirigir.
O recomendável mesmo é que não dirijam após uma discussão, uma notícia ruim ou diante de qualquer estímulo que os desestabilize emocionalmente.
Se já está atrasado não vai ser se arriscando e arriscando a segurança dos outros que vai recuperar o tempo perdido. Muitas vezes nem recupera.
Aquele que por algum motivo precisa fazer viagens longas e pensa que vai ganhar muito tempo acelerando demais desconsidera que os riscos são altíssimos e que o mais importante é chegar bem. E vivo.
O motorista irado fica agressivo, desconta no pedal do acelerador, ocupa a mente com pensamentos nocivos e vai se irritar com o primeiro que passar pela sua frente.
Na verdade, não tem nada a ver com o outro, mas consigo mesmo e com o modo como lida com as suas emoções.
Se o meu vizinho já bateu manobrando o carro no estacionamento de um Atacadão na cidade conversando com a esposa pelo Bluetooth tentando saber se comprou a marca certa de fraldas, imagine dirigindo na via e se distraindo com emoções e sentimentos que precisam ser acalmados para uma direção segura!
Ao volante as pequenas ações comportam grandes cautelas e grandes valores.
Um estado emocional desesquilibrado e inconstante traz dores de cabeça que não curam com apenas um comprimido.
Se estiver agressivo não dirija!
Se estiver triste demais e abalado por algum motivo, perda ou ameaça de perda de um ente querido passe a direção para outra pessoa. Se não puder não perca o foco!

Márcia Pontes é escritora, colunista e digital influencer no segmento de formação de condutores, com três livros publicados. Graduada em Segurança no Trânsito pela Unisul, especialista em Direito de Trânsito pela Escola Superior Verbo Jurídico, especialista em Planejamento e Gestão do Trânsito pela Unicesumar. Consultora em projetos de segurança no trânsito e professora de condutas preventivas no trânsito. Vencedora do Prêmio Denatran 2013 na categoria Cidadania e vencedora do Prêmio Fenabrave 2016 em duas categorias.
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