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Número de vagas do programa Mais Médicos para SC deve ser divulgado nos próximos dias

Número de vagas do programa Mais Médicos para SC deve ser divulgado nos próximos dias

20/03/2023 às 21h20 Atualizada em 21/03/2023 às 00h20
Por: Tom
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Foto: Reprodução
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O Governo Federal anunciou nesta segunda-feira (20) a volta do programa Mais Médicos. O objetivo é expandir o número de profissionais de 13 mil para 28 mil. Segundo a ministra da Saúde Nísia Trindade, o edital deve ser lançado ainda nesta semana e só então será possível saber quantas vagas estão disponíveis para Santa Catarina.

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De acordo com o que foi apresentado pelo governo, a seleção pode incluir médicos estrangeiros, mas a prioridade será para profissionais do Brasil. Aqueles que se formaram em outro país terão incentivo para fazer o Revalida, teste para que tenha a validação da formação no país.

Demanda em Santa Catarina

Para o Sindicato dos Médicos do Estado de Santa Catarina (Simesc) as mudanças de programa e diretrizes não ajudam. “Estamos vivendo de sobressaltos. Tinha um programa Mais Médicos, ele foi encerrado, veio o Médicos pelo Brasil, com uma série de compromissos que também foi encerrado e agora volta o Mais Médicos. Esses sobressaltos não ajudam na condução de políticas públicas no nosso país”, afirma Cyro Soncini, presidente do Simesc.

A necessidade de mais profissionais no Estado foi apresentada em janeiro de 2022, quando o sindicato fez uma pesquisa entre os profissionais que afirmaram sobrecarga de trabalho e a necessidade de reforço na equipe. Quase 78% disse que não houve reforço na contratação de médicos. E 15% que as contratações foram insuficientes.

Os médicos que responderam à pesquisa são das cidades de Blumenau, Florianópolis, Araranguá, Água Doce, Angelina, Balneário Camboriú,  Botuverá, Capinzal, Correia Pinto , Chapecó, Criciúma, Gaspar, Garopaba, Ipira, Itapema, Itajaí, Içara, Joinville, Lages, Meleiro, Morro da Fumaça, Maravilha, Navegantes, Ponta Grossa, São José, Santo Amaro da Imperatriz, Turvo e Sombrio.

Outro fator importante para gerar essa necessidade de mais médicos no Estado foi o aumento na procura por atendimentos. Os profissionais responderam que algumas demandas chegaram a triplicar durante a pandemia e se manteve mesmo depois que a Covid-19 foi controlada.

Visão contrária

Já o Conselho Regional de Medicina (CRM-SC) acredita que o Estado não necessita de mais profissionais e sim de condições melhores para atrair esses médicos para cidades menores. Santa Catarina tem 13.820 médicos especialistas.

De acordo com o conselho, a Demografia Médica, do Conselho Federal de Medicina (CFM), mostrou que há hoje 22.882 médicos registrados em Santa Catarina. Apenas seis estados tem mais profissionais registrados: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia.

Em Santa Catarina, existem 3,1 médicos para cada grupo de 1 mil habitantes. Apenas cinco estados tem número mais elevado: Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais.

O estudo do CFM mostrou que Florianópolis tem 10,7 médicos para cada grupo de 1 mil habitantes. Nesse caso, apenas uma capital fica à frente do número registrado em Santa Catarina: Vitória, no Espírito Santo.

Consideradas apenas as cidades do interior, Santa Catarina tem 2,5 médicos para cada grupo de 1 mil habitantes. Nenhum estado tem maior presença de profissionais no interior.

Para o CRM-SC, o mais importante agora é dar as condições adequadas para atrair o médico formado para localidades ainda não atendidas. E isso exige a oferta de condições adequadas de trabalho com equipamentos, instalações com segurança sanitária, segurança trabalhista, entre outras.

O CRM defende a criação de carreiras de Estado para o médico. Assim como ocorre em outras categorias, o profissional concursado, com boas condições de trabalho e condições de avançar na carreira, ocuparia postos em diferentes regiões, o que para o conselho garantiria a capilaridade no atendimento à população.

Em nota, o CRM afirma que o programa apresentado agora não representa um passo na direção de uma carreira de Estado para o médico, já que o contrato previsto é de apenas quatro anos, com possibilidade de ampliação por mais quatro anos, e prevê o pagamento de bolsas e não de salário. Isso também não dá garantias de estabilidade para o profissional, diminuindo a atratividade do programa para médicos se deslocarem para locais que tem condições ruins de infraestrutura.

No Brasil

O Conselho Federal de Medicina (CFM por meio da Demografia Médica 2023, mostrou uma situação diferente da registrada em Santa Catarina. De acordo com o levantamento, o número de médicos no país com registros nos Conselhos Regionais de Medicina é suficiente para atender a população.

O problema é a distribuição desses profissionais. Existe um cenário de desigualdade na distribuição e também de acesso aos profissionais. Os dados mostraram que a maioria dos médicos permanece concentrada nas regiões Sul e Sudeste, nas capitais e nos grandes municípios.

São 49 cidades com mais de 500 mil habitantes, que concentram 32% da população brasileira e onde estão 62% dos médicos do País. Já as cidades de até 50 mil habitantes, que juntas possuem 65,8 milhões de pessoas, tem 8% dos profissionais da área, o que representa em torno de 40 mil médicos.

De acordo com o CFM, o Brasil conta com cerca de 546 mil médicos ativos.

Médicos cubabos

A prioridade para brasileiros foi bastante ressaltada na apresentação, porque na edição anterior do Mais Médicos, em 2013, então governo de Dilma Rousseff, houve a contratação de um número significativo de médicos cubanos, por causa da parceria com a Organização Panamericana de Saúde (Opas). Os médicos não precisavam do Revalida e vieram críticas de várias entidades por eles receberem salários menores.

Via ND+, parceira do Portal Alexandre José, editado por Redação.

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