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O PL virou objeto de cobiça, e Jorginho terá de administrar a fila

O bolsonarismo ampliou sua presença e consolidou uma estrutura parlamentar que ninguém poderá ignorar.

13/10/2026 às 14h53
Por: Redação
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O PL saiu das urnas com uma demonstração avassaladora de força. Serão 121 deputados federais e uma bancada de 28 senadores a partir de fevereiro. Na disputa deste ano, conquistou 19 das 54 vagas do Senado. O bolsonarismo ampliou sua presença e consolidou uma estrutura parlamentar que ninguém poderá ignorar. É voto transformado em poder político.

Uma marca histórica

Na Câmara, nenhuma legenda havia eleito uma bancada desse tamanho desde 1986, quando o então PMDB conquistou 260 cadeiras, com José Sarney na Presidência. Quarenta anos depois, o PL alcança uma marca expressiva. Quase um em cada quatro deputados será liberal. Quem imaginava uma direita passageira terá de rever o diagnóstico. O resultado mostra organização, capilaridade e consistência eleitoral.

Noventa por cento

Outro dado ajuda a compreender a cobiça pela legenda. Dos 70 deputados do PL que tentaram a reeleição, 63 conseguiram. Apenas sete ficaram pelo caminho. Uma taxa de sucesso de 90%.

Estar no partido não assegura mandato, mas oferece uma plataforma eleitoral poderosíssima. Não é por acaso que tanta gente procura abrigo debaixo do guarda-chuva liberal.

O retrato catarinense

Em Santa Catarina, o PL passou de seis deputados federais eleitos em 2022 para sete em 2026. Mas essa conta precisa considerar as mudanças ocorridas durante o mandato.

Carol de Toni disputou e conquistou uma cadeira no Senado. Jorge Goetten migrou para o Republicanos. No sentido contrário, Ricardo Guidi e Ismael dos Santos chegaram do PSD. A bancada mudou de composição e foi novamente submetida ao julgamento das urnas.

Os reconduzidos

Júlia Zanatta, Daniela Reinehr, Zé Trovão e Daniel Freitas renovaram seus mandatos. Ricardo Guidi também se reelegeu, agora pelo PL.

Dos seis deputados federais que buscaram a recondução pela legenda em Santa Catarina, cinco conseguiram. O único que ficou na suplência foi Ismael dos Santos. Portanto, entre os sete insucessos nacionais apontados pelo levantamento, apenas um ocorreu no Estado.

Por 1.814 votos

Ismael recebeu 74.644 votos. Daniel Freitas, o último eleito dentro do PL catarinense, conquistou 76.458. Uma diferença de apenas 1.814 votos.

Bateu na trave. E ainda poderá retornar à Câmara caso Jorginho Mello convoque um deputado federal eleito para integrar o secretariado. Como primeiro suplente, Ismael está diretamente interessado nessa possibilidade. A porta continua aberta, mas depende de uma decisão do governador.

Os novos federais

As novidades são Jair Renan Bolsonaro e Sargento Lima. Jair Renan conquistou a segunda maior votação do PL catarinense, atrás apenas de Júlia Zanatta. Sargento Lima deixou a disputa estadual para conquistar espaço na Câmara.

O partido conseguiu preservar a maior parte dos seus parlamentares e acrescentar novos nomes. Uma combinação eleitoral valiosa: continuidade, renovação e crescimento da bancada.

Abrigo disputado

Na Assembleia, a bancada de 16 deputados reforça o tamanho da força liberal. É esse conjunto que transforma a filiação em objeto de desejo. O partido tem governador reeleito, representação robusta em Brasília e uma base estadual musculosa.

Mas o sucesso também atrai o oportunismo. Jorginho terá de distinguir quem pretende construir o projeto de quem apenas procura uma passagem mais fácil para a próxima eleição. Nem todo interessado chega por convicção.

A fila de Jorginho

Reeleito governador e presidente estadual do PL, Jorginho terá de administrar essa procura inflacionada por espaço. Quanto maior o partido, maior a disputa interna por candidatura, protagonismo e comando.

Nesse cenário, Novo, Republicanos e Podemos ganham importância dentro do arco de alianças. Permitem ampliar a base sem concentrar todas as ambições numa única legenda.

O PL virou objeto de cobiça. Agora, o desafio de Jorginho é fazer o partido crescer sem transformar a abundância de interessados numa guerra entre aliados.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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