A eleição catarinense teve um grande vitorioso: Jorginho Mello. Reelegeu-se no primeiro turno, conquistou as duas vagas ao Senado, fez a maior bancada na Assembleia e elegeu sete dos 16 deputados federais. Uma demonstração avassaladora de força e articulação. Os adversários disputaram o governo. Jorginho ampliou seu poder sobre todo o tabuleiro.
Quase um segundo turno
Os 68,98% dos votos válidos ficaram apenas 1,71 ponto abaixo dos 70,69% conquistados no segundo turno de 2022. Praticamente repetiu, diante de vários adversários, o percentual obtido numa disputa entre dois. Votação contundente, que traduz aceitação do governo e liderança. A oposição tentou abrir uma brecha. As urnas devolveram uma muralha.
O voto casado
Jorginho mobilizou sua estrutura para eleger Carlos Bolsonaro e Carol de Toni, consolidando o voto casado quando Esperidião Amin ameaçava uma das vagas. Carlos tinha o sobrenome. Jorginho ofereceu articulação, presença e organização. Carol conquistou quase 2,7 milhões de votos e força própria. Não é apêndice de outra candidatura.
Vinte e seis mandatos
Um governador, dois senadores, sete federais e 16 estaduais: 26 mandatos do PL, além da vice-governadoria e dos aliados. Com 40% da Assembleia, os liberais comandarão negociações. Somados os aliados, Jorginho pode construir maioria folgada e influir na escolha do presidente da Casa. Sua influência na bancada federal também ultrapassa o PL.
Brasília na conta
Jorge Seif, Carol e Carlos representarão Santa Catarina no Senado a partir de 2027. Cem por cento liberal. Jorginho entrega força à direção nacional e se fortalece perante os Bolsonaro. Jair Renan foi o quarto mais votado para deputado federal no estado, o segundo do PL. O 02 chega ao Senado. O 04, à Câmara. Jorginho entrega resultado. Isso vale mais que discurso.
Força para cobrar
Se Flávio vencer o segundo turno, Jorginho terá posição privilegiada para reivindicar recursos e espaço no governo federal. Até uma indicação ministerial pode entrar na negociação. Musculatura, ele tem. Mas o prestígio precisa virar obras: rodovias, acessos, logística e infraestrutura. Proximidade com o presidente não garante obra pronta. Terá força para cobrar e será cobrado pelas entregas.
O tamanho nacional
Os 68,98% colocam Jorginho entre os maiores percentuais do país, próximo de Arthur Henrique, em Roraima, com 69,13%, e Rafael Fonteles, no Piauí, com 70,9%. Governo no primeiro turno, duas vagas ao Senado e bancadas expressivas. Quem entrega esse conjunto não chega à mesa pedindo licença. Chega com votos, mandatos e força política.
2030 já começou
Carol de Toni e Adriano Silva surgem para a sucessão. Ela tem votação gigantesca e oito anos de mandato. Ele poderá assumir o governo se Jorginho sair para disputar o Senado em 2030.
Mas o Novo teve desempenho modesto: elegeu Odair Tramontin e reelegeu Gilson Marques, sem manter Matheus Cadorin na Assembleia. Adriano terá força institucional. Carol, um partido muito mais musculoso. Jorginho precisará administrar essa equação.
Adversários apequenados
Terra arrasada nas pretensões oposicionistas. Merísio fez 15,66%, abaixo dos cerca de 17,4% de Décio Lima em 2022. Lula ficou com 25,04%, também abaixo da primeira rodada anterior. A esquerda não conseguiu incomodar Jorginho.
João Rodrigues terminou com 13,35%. Entrou para disputar o governo e saiu em terceiro, atrás de Merísio. Uma derrota pesada, que expõe o fracasso de sua estratégia.
O dono do pedaço
2030 não está decidido, mas o ponto de partida é brutalmente desigual. Jorginho tem o governo, bancadas fortes e influência sobre sua sucessão. A oposição precisa reconstruir discurso, liderança e organização. Ele terá de administrar a abundância de poder e acomodar os vitoriosos.
A vitória foi esmagadora. A grande verdade é que Jorginho Mello é o dono do pedaço.
Mín. 17° Máx. 21°