
O Aeroporto Regional de Blumenau, conhecido como Aeroporto Quero-Quero, segue operando apenas durante o dia por falta de balizamento noturno. Mesmo após o anúncio de um investimento de R$ 2,8 milhões por parte do Governo de Santa Catarina, feito em abril de 2024, as obras seguem paradas, com apenas 25% do cronograma executado. A previsão inicial era de que o sistema estaria funcionando em até 120 dias, prazo que foi dado na época pela prefeitura, que é a responsável pelo aeroporto.
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A ausência do balizamento — sistema de iluminação que permite pousos e decolagens noturnos — afeta diretamente a aviação executiva, o transporte de órgãos e as operações de emergência, como as realizadas pelo helicóptero Arcanjo do Corpo de Bombeiros.
“Agora no inverno só conseguimos operar até 17h30 por causa do pôr do sol. Isso impacta a aviação executiva, que fica totalmente restrita”, afirma Andrey Tomazi, presidente do Aeroclube de Blumenau, uma das escolas de aviação mais importantes do Brasil, com mais de 100 novos pilotos formados por ano.
Segundo Tomazi, com o balizamento funcionando, o aeroclube poderia operar até as 22h com aulas, e aumentar em até 30% a capacidade de pousos e decolagens. “Era pra estar pronto. Essa foi a promessa”, diz.
A situação afeta também o Arcanjo 03, aeronave de resgate do Corpo de Bombeiros. De acordo com o Major Jair Pereira dos Santos Junior, comandante da 2ª Companhia de Operações Aéreas, a falta de estrutura tem limitado as ações de emergência.
“Especificamente, a ausência de balizamento nos obriga a encerrar as operações antes do pôr do sol. Temos que calcular se dá tempo de atender a ocorrência e retornar ao aeroporto antes de escurecer. Com o balizamento, poderíamos realizar mais resgates e com mais segurança”, afirma o major.
Ele destaca que cerca de 60 atendimentos aéreos são feitos por mês em média mesmo com à limitação operacional. O batalhão ainda conta com dois aviões que são utilizados no transporte de órgãos e pacientes, mas sem o funcionamento do balizamento, essas aeronaves precisam pousar em Navegantes, a cerca de 55 km de Blumenau, em uma operação durante a noite.
Blumenau se tornou referência estadual em transplantes de fígado. No entanto, segundo o médico hepatologista Marcelo Nogara, do Hospital Santa Isabel, a falta de balizamento tem comprometido a logística de transplantes, principalmente em horários noturnos.
“Recebemos a autorização da família para a doação às 18h, mas o aeroporto já está fechado. Aí temos que usar o transporte terrestre, o que não é o ideal. Já estamos há cinco anos cobrando esse balizamento. Estamos fazendo a nossa parte, agora precisamos que eles façam a deles”, afirma o médico.
Santa Catarina lidera o ranking nacional de transplantes, mas a deficiência na infraestrutura do Aeroporto de Blumenau coloca em risco a agilidade necessária para salvar vidas.
Procurada, a Prefeitura de Blumenau informou que está em contato com o Governo do Estado, que teria se comprometido a liberar um repasse de R$ 1,5 milhão no próximo dia 18 de junho. A liberação permitiria a retomada dos trabalhos de balizamento, que inclui a instalação do sistema PAPI, gerador e biruta iluminada.
Enquanto isso, o aeroporto, inaugurado em 1970 e com pista de 1.080 metros, segue sem condições de operar voos noturnos. Atualmente, cerca de 60 aeronaves utilizam a estrutura, que continua funcionando de forma limitada, impactando diretamente a expansão de voos executivos e regulares e os serviços de emergência da região.
Sol predomina em Blumenau nesta quarta-feira, mas há chance de chuva isolada no fim do dia
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