
R$ 5 mil reais.
Pode não parecer nada no mundo do futebol.
Mas é muito para um clube como o Metropolitano.
Esse seria o valor cobrado para utilizar o Estádio Augusto Bauer na partida contra o Joinville, que estava marcada para a última quinta-feira (4) e foi adiada.
Despesas que aumentariam com a ida até Brusque.
Além do ônibus, ambulância, seguranças, policiais militares, maqueiros, a pizza que a boleirada come lá mesmo no vestiário depois do jogo...
O valor só não chegaria perto dos R$ 10 mil porque a delegação viajaria no dia do confronto, logo após o almoço, que seria servido no próprio CT, que também abriga a concentração.

Na estreia, no empate em 0 x 0 com o Figueirense, o grupo viajou para Florianópolis na véspera e ficou em hotel.
Transporte, hospedagem e alimentação.
Um gasto de aproximadamente R$ 6 mil.
Que poderia ser maior se o Avaí não fosse parceiro já que não cobrou a locação da Ressacada.

Outro detalhe que tem ajudado muito é que a Associação de Clubes está bancando a arbitragem.
Cada jogo custa em média R$ 5 mil.
Dependendo do deslocamento, a soma é maior.

Após reunião virtual na tarde desta sexta-feira (5) se definiu, por unanimidade entre Federação e os 12 clubes, que a competição será retomada no dia 21, a partir da 4ª rodada.
E que os quatro jogos atrasados serão disputados entre os dias 11 e 14 deste mês.
Um chute consensual na suspensão de 15 dias do campeonato, contados a partir de quinta (4).
A Chapecoense vai jogar em Concórdia.
O Criciúma, em Jaraguá do Sul, conforme a nova tabela.
E o Metropolitano em Ibirama ou Brusque.
Cidades onde não há restrições das prefeituras.

O confronto com o Joinville será dia 13, sábado.
O clube trabalha com a possibilidade de jogar no Alto Vale.
Corre contra o tempo.
Tanto é que agendou para segunda-feira, a vistoria no estádio da Baixada.
A FCF manteve a partida, por ora, para o Augusto Bauer.
Ou seja.
O que coloquei na introdução da coluna poderá ser apenas postergado.
Ibirama terá uma bela praça de esportes.
Em contrapartida, pelos próximos quatro anos, o Metropolitano ficará isento da cobrança do aluguel para usar a estrutura.
As obras começaram no dia 11 de janeiro.
A empresa responsável solicitou um prazo de 30 dias para deixar tudo pronto.
O tempo não ajudou, é verdade.
Mas o trabalho está atrasado.
O investimento no gramado já passa dos R$ 300 mil.

O futebol é um saco sem fundo para equipes que dependem da cota da televisão para cobrir rombos, por exemplo.
A primeira parcela da TV foi transferida diretamente para a conta da firma que está fazendo a reforma do campo.
O Metrô vai receber R$ 147 mil, divididos em quatro parcelas.
Pelo acordo, ao finalizar o estadual, pela posição em que vai ficar na classificação, pode receber mais uma beirada.
O clube tem uma receita mensal de R$ 41 mil e uma despesa de R$ 151 mil.
O número de sócios explica muita coisa.

São apenas 59 associados adimplentes - 23 Ouro que pagam R$ 100, 35 Verde que contribuem com R$ 40 e um sócio Corporativo na qual a modalidade Prata custa R$ 100 e a Bronze R$ 60.
17 inadimplentes (3 sócios Ouro, 14 sócios Verde).
E 176 inativos (37 sócios Ouro, 139 sócios Verde).
Uma novidade lançada nesta sexta, até para valorizar o sócio torcedor, é o preço atrativo da camisa.
R$ 60 desde que seja comprada direto com a fornecedora, a Promo Sports.
No auge, em 2012, o Metrô chegou a ter 1.300 sócios.

Essa matemática que não fecha nunca é muito mais pesada para o clube do que para a gestora.
Ela é responsável pelo pagamento de comissão técnica e jogadores.
Afinal, a maioria dos atletas que estão aqui têm os salários pagos pelos times de origem ou bancados em boa parte por empresários, que precisam colocar seu produto na vitrine.
O Corinthians, inclusive, tem dois garotos no Metropolitano.
O lateral esquerdo Kevin Emmel de 20 anos que foi comprado junto ao Tubarão.

E o atacante Gabriel Lima, de 22 anos (formado na base do Inter de Lages e que defendeu o Figueirense em 2020).
A dupla é agenciada por André Santos, como aponta essa reportagem do "Meu Timão".

O produto final do futebol é o resultado.
Que se reflete em negócios.
Como a ida de Ruan Oliveira (faz 21 anos agora em março) para o Corinthians.
O contrato que terminaria em julho foi estendido até junho de 2022 mesmo com o jogador lesionado.
Em setembro, sozinho em um treino, Ruan rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo - a previsão é que volte em abril.
Perguntei ao presidente Valdair Matias se algum dinheiro veio para cá.
Disse que não.
Apenas o meia ofensivo recebeu um aumento salarial, passou a ganhar R$ 20 mil/mês.

Em abril de 2019, Ruan foi emprestado por R$ 100 mil (com opção de compra de R$ 1 milhão).
Seu valor de mercado é de 300 mil euros (mais de 2 milhões de reais).
Na época, o Metropolitano só teve direito a 10% do bolo, já que as cifras estavam fatiadas e acabaram distribuídas para parceiros em troca de empréstimos para pagar salários.
Ruan veio do Paraná.
Foi direto para o time profissional.
Aquele elenco de 2019 foi rebaixado, mas o moleque mostrou qualidade.
Como está vinculado ao Metrô, rendeu e pode render ainda uma boa grana.

É o trivial.
Enquanto a base não for reativada e tratada com prioridade, o clube vai continuar respirando por aparelhos.
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